Posicionamentos dos candidatos presentes e ausentes na bancadaDivulgação/Band
A ausência dos três dominou parte do debate. Lula virou o principal alvo dos participantes. Flávio também foi citado diversas vezes. Zema havia confirmado presença, mas desistiu após Lula não participar. A campanha petista justificou a ausência do presidente pela insatisfação com o formato do debate e com a presença de Renan Santos, do Missão.
O encontro ocorre em meio à campanha para as eleições de 2026. Dos 13 candidatos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), seis haviam sido convidados pela Band. A legislação eleitoral determina a participação de candidatos de partidos com representação mínima no Congresso nos debates. Os demais podem ser convidados pelas emissoras.
Segurança abre o debate
Na primeira rodada, Renan Santos respondeu sobre suas propostas para a segurança pública. O candidato começou atacando Lula e Flávio.
"Lula e Flávio faltaram e não vieram porque não têm coragem", afirmou.
Renan defendeu a decretação de Estado de Defesa e o uso de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Também propôs a criação de superpresídios com separação de presos por facção. Segundo ele, a medida ajudaria a combater a atuação das organizações criminosas.
O candidato também defendeu intervenção federal em estados que, segundo ele, não colaborarem com o governo federal no combate ao crime. Citou Ceará e Bahia.
Na sequência, Ronaldo Caiado respondeu sobre ajuste fiscal, dívida pública e juros. O governador de Goiás atacou Lula e afirmou que o país precisa de um "choque de credibilidade".
"Quem assumir precisa ter autoridade moral", disse.
Caiado prometeu reduzir a taxa básica de juros para 6% e a inflação para uma faixa entre 3% e 4%. Também citou sua gestão em Goiás.
"Assumi Goiás e entreguei um outro estado para os goianos", afirmou.
Augusto Cury recebeu uma pergunta sobre educação. O candidato criticou os resultados do ensino brasileiro e voltou a mencionar a ausência de Lula.
Cury disse que 95% dos jovens chegam ao fim do ensino médio sem aprender matemática de forma adequada. Também citou dificuldades de interpretação e autonomia. Defendeu uma "revolução na educação", com professores atuando como "provocadores na arte de ensinar".
O candidato também criticou a falta de inclusão de pessoas neurodivergentes no sistema educacional.
Cury afirmou que o Brasil está "radicalizado". Defendeu a manutenção do Bolsa Família, mas propôs mudanças para estimular a entrada dos beneficiários no mercado de trabalho.
Segundo ele, quem conseguir emprego com carteira assinada ou abrir um MEI não deveria perder imediatamente o benefício.
"Estamos num barco só. As dores não têm cor partidária", afirmou.
Renan elevou o tom. Disse ser um brasileiro "indignado" com o governo Lula e criticou as relações do país com China e Estados Unidos.
Em determinado momento, chamou de "canalha" o eleitor que apoia o presidente e afirmou que não quer esse voto.
Cury rebateu. "Sua agressividade me assombra", afirmou. O candidato pediu que as críticas fossem direcionadas às ideias de Lula, e não aos eleitores.
Cury também apresentou propostas para pequenos negócios. Defendeu a divisão do BNDES em duas estruturas, uma voltada a grandes empresas e outra para micro e pequenas. Prometeu ainda escolas de empreendedorismo em comunidades e unidades da rede pública. O candidato afirmou que pretende preparar o país para o avanço da inteligência artificial.
Caiado e Cury discutem violência contra mulheres
Cury perguntou a Caiado sobre as principais violências sofridas pelas mulheres brasileiras. O governador de Goiás respondeu que pretende combater o feminicídio e ampliar as políticas de segurança e saúde mental.
Caiado citou medidas adotadas em Goiás, como o botão do pânico e ações policiais contra agressores.
Também prometeu apresentar ao Congresso uma proposta para confiscar bens de homens condenados por violência contra mulheres. Segundo ele, os recursos poderiam ser destinados às vítimas e às famílias.
O candidato defendeu ainda o aumento das penas e o fim de mecanismos que permitam redução da punição para condenados por esses crimes.
Educação volta a provocar confronto
Caiado questionou Renan Santos sobre educação. O candidato do Missão criticou o modelo tradicional de ensino e afirmou que universidades públicas apresentam baixo desempenho.
Renan também atacou políticas educacionais de governos anteriores e disse que o Brasil se tornou a "pátria do analfabetismo funcional".
Em uma das declarações mais controversas, associou eleitores de Lula ao analfabetismo funcional.
O candidato prometeu colocar o Brasil entre as cinco maiores nações do mundo.
Caiado destacou sua experiência em Goiás e citou mudanças na grade curricular implementadas durante sua gestão.
Segundo bloco tem perguntas de jornalistas
No segundo bloco, jornalistas fizeram perguntas aos candidatos. Ernesto Paglia, da TV Cultura, questionou Caiado sobre segurança pública, câmeras corporais e a criação de presídios federais.
Caiado afirmou que pretende dar mais autonomia aos governadores e endurecer o combate ao crime.
"O Brasil está de joelhos para o crime. Bandido não vai mandar no meu governo", declarou.
O candidato defendeu a construção de 40 presídios federais, com separação dos presos por facção e restrições a visitas íntimas. Também prometeu confiscar bens de integrantes de organizações criminosas.
Caiado defendeu ainda o enquadramento das facções como grupos terroristas e o uso das Forças Armadas no controle das fronteiras.
Relação com Estados Unidos divide candidatos
A jornalista Thaís Freitas, da Rádio Bandeirantes, questionou Cury sobre a relação do Brasil com os Estados Unidos.
Cury classificou o cenário como "um problema sério". Defendeu uma relação próxima com os americanos, mas rejeitou qualquer postura de submissão.
O candidato também falou em reformular as embaixadas brasileiras e apresentar o país como potência em biotecnologia, energia renovável e agricultura.
Cury defendeu relações comerciais com China e Estados Unidos e afirmou que o Brasil poderá, nos próximos dez anos, negociar de igual para igual com as principais potências.
Caiado discordou da avaliação sobre Lula. Disse que o presidente estaria interessado em manter o impasse com Donald Trump para desviar o foco de problemas internos. Também criticou o Itamaraty, que classificou como "porta-voz do PT".
Escala 6x1 provoca novas divergências
A escala de trabalho 6x1 também entrou no debate. Sheila Magalhães, da BandNews, questionou Renan Santos sobre o tema.
O candidato criticou Lula e afirmou que o presidente seria "inimigo do trabalho". Defendeu uma reforma trabalhista e mudanças nas regras de contratação.
Renan se posicionou a favor da manutenção da escala 6x1 em setores que, segundo ele, dependem desse modelo. Também defendeu maior flexibilidade para contratos por hora e redução de impostos sobre trabalhadores e empresas.
Cury apresentou uma posição diferente. Citou o burnout e defendeu a escala 5x2 como forma de melhorar a qualidade de vida. Para ele, setores específicos ainda podem manter a 6x1, desde que haja equilíbrio entre trabalhadores e empresários.
Renan voltou a defender seu posicionamento e afirmou que a falta de emprego pode causar mais problemas aos trabalhadores.
No fim do bloco, o candidato voltou a atacar Lula e Flávio Bolsonaro. Também criticou a cobertura da imprensa sobre a ausência do presidente e fez ataques pessoais aos dois adversários, chamando Lula de "bêbado" e Flávio de "cagão".
Terceiro bloco tem corrupção, educação e novos ataques a Lula e Flávio
O terceiro bloco voltou a ser marcado por confrontos diretos entre os candidatos e por críticas aos ausentes Lula e Flávio Bolsonaro.
Ao discutir corrupção, Augusto Cury classificou o problema como um dos principais entraves do país e defendeu punições mais duras.
"A corrupção é um crime hediondo e violento. Cuidar do dinheiro público é cuidar das pessoas", afirmou.
Renan Santos voltou a concentrar o discurso na segurança pública. O candidato prometeu combater facções criminosas e ampliar o controle do Estado sobre áreas dominadas pelo crime organizado.
"Vou iniciar um banho de sangue contra essas facções. As tropas vão subir as favelas e libertar as peasoas do Comando Vermelho. Vamos retomar o território brasileiro", declarou.
Na sequência, Cury apresentou propostas para a área de segurança. O candidato defendeu o fortalecimento da Polícia Federal e a criação de uma força especial integrada por agentes da PF, Polícias Militar e Civil e Polícia Rodoviária Federal.
Batizado de Projeto FATO (Força de Alerta Total), o plano prevê a formação de uma tropa de elite para atuar no combate ao crime organizado e em ações preventivas.
A educação também voltou ao centro do debate. Cury questionou Ronaldo Caiado sobre a expansão do ensino técnico e profissionalizante. O governador de Goiás respondeu destacando resultados obtidos durante sua gestão.
"Sempre me dediquei à educação. Os melhores colégios estaduais do Brasil estão em Goiás", afirmou.
Cury defendeu mudanças na grade curricular, com a inclusão de disciplinas como oratória, empreendedorismo e esportes. Segundo ele, a proposta ajudaria a combater a dependência digital e o envolvimento de jovens com drogas.
Caiado citou a ampliação do ensino técnico em Goiás, parcerias com o Sistema S e investimentos em tecnologia. O candidato também destacou a criação de uma universidade voltada para inteligência artificial no estado.
Ausentes seguem no centro das discussões
Em outro confronto, Caiado voltou a criticar a ausência de Lula e Flávio Bolsonaro. O candidato afirmou que ambos deveriam ser obrigados a participar dos debates presidenciais.
Renan concordou e elevou o tom das críticas. O candidato acusou Lula e Flávio de alimentarem uma polarização que, segundo ele, interessa aos dois grupos políticos.
"Lula quer debater com Flávio e Flávio quer debater com Lula", afirmou.
Ao longo do bloco, Renan fez novos ataques pessoais aos dois adversários ausentes, além de críticas à primeira-dama Janja da Silva. O candidato também voltou a cobrar explicações de Lula e Flávio sobre denúncias e acusações envolvendo seus grupos políticos.
Caiado seguiu na mesma linha e afirmou que os dois deixaram de comparecer ao debate para evitar questionamentos.
Considerações finais
Nas considerações finais, Ronaldo Caiado destacou sua trajetória política e profissional. O candidato afirmou que possui 40 anos de vida pública sem condenações e voltou a diferenciar sua candidatura das de Lula e Flávio Bolsonaro.
"Se os dois não vêm ao debate, não podem ser opção. Me dê a chance de crescer. Acreditem no Brasil", declarou.
Renan Santos relembrou sua participação nas manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e voltou a atacar a família Bolsonaro e o presidente Lula.
O candidato afirmou que o Brasil tem potencial para se tornar uma das cinco maiores economias do mundo e defendeu uma agenda baseada em produção, exportação e crescimento econômico. Ao encerrar sua participação, colou um papel com a palavra "ladrão" na bancada reservada a Lula.
Augusto Cury adotou um tom mais pessoal no encerramento. O candidato relembrou a infância pobre, destacou a carreira como psiquiatra e escritor e afirmou que pretende montar uma equipe técnica para governar o país.
"Não vamos evoluir no grito, mas com um time de ouro. O Brasil tem cura", afirmou ao concluir sua participação no primeiro debate presidencial da corrida eleitoral de 2026.
Na estreia, serão veiculados os programas das candidaturas a senador, deputado estadual ou distrital e governador. Já presidente da República e deputado federal terão espaço às terças e quintas-feiras e aos sábados. O primeiro programa presidencial irá ao ar em 29 de agosto.

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