Antes, Flávio Bolsonaro optou por uma abordagem crítica ao presidente LulaTânia Rêgo / Agência Brasil

Em propagandas de rádio veiculadas entre os dias 19 e 21, o candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), afirmou que é diferente de Lula (PT) e de seu pai, Jair Bolsonaro. No início da propaganda, Flávio diz: "Se você ainda tem alguma dúvida, se ficou chateado com o Jair, se tá decepcionado com o Lula, eu quero dizer que meu nome é Flávio."
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O candidato afirma ser diferente dos dois e reconhece ter qualidades e defeitos próprios, reiterando que o "Brasil precisa mudar urgente". Procurada pela reportagem, a campanha do candidato não se manifestou.

A campanha parece agora mirar o eleitor indeciso, em uma tentativa de conquistar os votos que podem decidir o segundo turno entre Lula e Flávio. A pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira, 21, mostrou o senador com 42% das intenções de voto, ante 41% do atual presidente.

Confira a transcrição completa:

"Se você ainda tem alguma dúvida, se ficou chateado com o Jair, se tá decepcionado com o Lula, eu quero dizer que meu nome é Flávio. Tenho minhas qualidades, meus defeitos, mas sou diferente dos dois. E o que importa é que o Brasil precisa mudar urgente: derrotar o crime, acabar com o medo e com esse sufoco. Do jeito que tá, já deu errado. Peço o seu voto de confiança pra fazer o Brasil voltar a vencer."

Para ouvir a propaganda, basta entrar nos Mapas de mídia e spots de rádio, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dentro do site, clique na aba do Partido Liberal, e, em seguida, no spot FB-27.

Propaganda anterior

Flávio afirmou, em sua última propaganda, que Lula teria "dividido o seu poder com Alexandre de Moraes" e que, como consequência, o Brasil teria ficado "sem presidente nenhum, sem comando". O candidato também acusou o governo petista de fazer parte de um "sistema que está apodrecido" e afirmou que Lula teria governado ao lado de uma parcela do Supremo Tribunal Federal (STF) que, segundo ele, teria descumprido a lei.

Na ação apresentada ao TSE, a coligação de Lula sustenta que as declarações são falsas e teriam sido utilizadas para apresentar ao eleitor uma versão distorcida da atuação do governo federal e das relações entre Executivo e Judiciário. A campanha também contesta afirmações feitas por Flávio sobre segurança pública, pobreza e renda e argumenta que o conteúdo da propaganda ultrapassaria os limites do debate eleitoral.

A representação pede que a Justiça Eleitoral determine a suspensão da reexibição do programa e comunique as emissoras de televisão. A coligação solicita também que seja concedido direito de resposta no próprio espaço de propaganda utilizado por Flávio, com o objetivo de apresentar sua versão dos fatos aos eleitores.

Em outro trecho da petição, a campanha de Lula afirma que o pronunciamento de Flávio teria como objetivo explorar eleitoralmente o cenário de tensão entre instituições. Segundo a coligação, o candidato buscaria transformar o acirramento institucional em instrumento de campanha e, com isso, produzir efeitos eleitorais a partir da crise envolvendo o STF.

O pronunciamento de Flávio ocorreu no mesmo dia em que o Supremo esteve no centro de uma sessão marcada por tensão entre ministros durante a análise de questões relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes e ao caso Banco Master.