Wladimir defende interesse regional; Jair Bittencourt diz que se trata da redenção do norte/noroeste Foto Divulgação
Veto ao semiárido que beneficiaria 22 municípios frustra e preocupa região
Entidades e prefeitos recebem apoio do governo estadual na articulação visando derrubar o veto
Campos/Região - Ao vetar o Projeto de Lei (PL) do semiárido – que beneficiaria 22 municípios fluminenses –, em ato publicado no Diário Oficial da União (DOU) do último dia oito, o presidente da República Luis Inácio Lula da Silva frustra prefeitos e produtores rurais do norte/noroeste do estado do Rio de Janeiro. Várias entidades estão preocupadas; uma delas a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), que invetiu na aprovação da lei.
A Firjan defende que a lei tem potencial para estimular o crescimento local, atrair novos investimentos e impulsionar cadeias produtivas essenciais para o desenvolvimento sustentável do norte e noroeste fluminense. E enfatiza que a classificação do clima da região como semiárido não é, antes de tudo, uma questão de justiça e sobrevivência.
Autor do PL, quando deputado federal, em 2019, o prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladinir Garotinho, considera o veto um desrespeito ao norte/noroeste do estado do Rio de Janeiro. Pelo mesmo caminho que articulou a aprovação (que demorou seis anos para acontecer), ele agora luta pela derrubada da decisão governamental.
“Estão desrespeitando as nossas regiões no que é um direito e não apenas um desejo”, destaca Wladimir realçando: “Se olharmos tecnicamnte os dados, considerar o norte/noroeste fluminense semiárido é justificável sob todos os aspectos”.
O prefeito argumenta que os produtores rurais das duas regiões sentem na pele os prejuízos, inclusive com mortes de animais: “Números e dados da perda de produções mostram, tecnicamente, a justificativa para a validade do PL, que foi aprovado por unanimidade, depois de passar por todas as comissões temáticas”.
Outro fator citado como bastante relevante é que a aprovação do PL foi acordada com os líderes do governo federal na Câmara (Lindbergh Faria) e no Senado (Jaques Wagner). Wladimir já se reuniu com prefeitos, lideranças regionais e o governador Cláudio Castro articulando a reversão do quadro.
VIRADA DE CHAVE - Sábado (9) Wladimir esteve em Santo Antônio de Pádua, onde participou de reunião dos prefeitos do noroeste e se reuniu com Cláudio Castro, que prometeu se empenhar: “Independente de bandeira partidária e ideológica; temos que pensar no que nos une, que neste momento é derrubar esse veto”.
O secretário estadual de Desenvolvimento Regional do Interior, Pesca e Agi cultura Familiar, Jair Bittencourt, também presente à reunião, disse que está engajado: “Infelizmente, com o veto o norte/noroeste perde muito, é uma falta de sensibilidade do governo federal e desconhecimento sobre a região”.
Na opinião do secretário, o interior do estado é penalizado com a posição presidencial, principalmente os pequenos municípios, que não têm os royalties do petróleo e possuem uma renda muito baixa: “Se a região noroeste fluminense e parte da região não são semiárido, não existe semiárido no Brasil”.
Bittencourt avalia que o projeto seria uma virada de chave, a redenção regional: “Além de uma garantia para os pequenos e médios produtores, agricultores familiares, para garantirem suas safras e seus rebanhos, frente às grandes perdas que acontecem por conta das estiagens. Então é triste ver o descaso com uma luta de tantos anos, que poderia mudar a realidade da nossa região”.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.