Karine observa que a forte competição pelos blocos evidencia a visão otimista das empresas quanto ao potencial das áreas Foto Firjan/Divulgação
Leilão de Partilha da ANP reflete força da Bacia de Campos e opção pelo pré-sal
De sete áreas ofertadas, cinco foram arrematadas, sendo três na Bacia de Campos dos Goytacazes, ao norte do Rio de Janeiro
Campos – “O interesse das empresas petrolíferas continua firme para o pré-sal brasileiro e sinaliza a manutenção de um ciclo de investimentos relevante para o país”. A análise é da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), focada no 3º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha de Produção, promovido nesta quarta-feira (22) pela Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural (ANP).
O resultado de arremate de blocos atingiu mais de 70%. Das sete áreas ofertadas cinco foram arrematadas, sendo três na Bacia de Campos (dos Goytacazes), na região norte fluminense, e dois na Bacia de Santos, em águas territoriais do estado de São Paulo. A arrecadação imediata somou de R$ 103,7 milhões em bônus de assinatura.
O investimento mínimo assegurado chegou a R$ 451 milhões na fase exploratória. A gerente de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, Karine Fragoso, avalia que a forte competição observada em alguns blocos e os expressivos percentuais de excedente em óleo ofertados para a União e de ágio, como o caso do bloco Citrino com mais de 250%, “evidenciam a visão otimista das empresas quanto ao potencial das áreas”.
No ranking, a Bacia de Campos mantém o Rio de Janeiro com os maiores volumes de produção e reservas de petróleo e gás do país. A performance garante ao estado ser um dos principais beneficiados pelos resultados deste ciclo. A dinâmica é considerada vital para a manutenção e criação de novas oportunidades para as indústrias e empresas fluminenses.
Karine destaca que os investimentos da fase de exploração das empresas vencedoras dos blocos devem impulsionar em um primeiro momento a demanda por empresas que entreguem aquisição e processamento de dados sísmicos, afretamento de embarcações, perfuração e completação de poços: “A continuidade do calendário de licitações, oferece a previsibilidade necessária para que a indústria planeje seus investimentos a longo prazo”.
A gerente frisa que a projeção é reforçada pelo sucesso do ciclo e pela perspectiva de um quarto ciclo com um número potencialmente maior de blocos: “A manutenção das atividades exploratórias é passo fundamental para a reposição de reservas, a segurança energética nacional e o desenvolvimento econômico e social, consolidando o papel estratégico do setor de petróleo e gás para o Brasil e, em especial, para o Rio de Janeiro”.
MATRIZ EXPRESSIVA - Na opinião do diretor de Indicadores Econômicos e Sociais do governo de Campos, economista Ranulfo Vidigal, o resultado revela o quanto a produção de petróleo ainda é importante na matriz energética mundial: “Embora tenhamos todo o movimento internacional associado às chamadas mudanças climáticas, o petróleo, pela sua característica de gerar subprodutos essenciais do segmento Industrial, revela a sua força”.
O economista realça que esse potencial é ainda mais expressivo, quando se constata que vão estar contratados, a partir dos cinco campos que foram escolhidos, R$ 451 milhões em novos investimentos: “Esses investimentos é que vão trazer, em um primeiro movimento, as contratações, principalmente na Bacia de Campos, da qual três áreas ligadas ao pré-sal foram escolhidas”.
Outro fator relevante observado por Vidigal é que este ano, as 12 mil vagas de trabalhos criadas até setembro, em 2025, no norte fluminense, um terço foi diretamente associada ao petróleo: “Portanto, novas contratações, novos investimentos contratados, oriundos dessas licitações, formam um quadro muito positivo”.
ADENSAMENTO - Para o economista, o impacto na cadeia produtiva do Estado do Rio de Janeiro também é inegável. Porém, ele detecta que falta, diante dos investimentos novos é o adensamento da cadeia industrial fluminense: “Precisamos evitar que o estado do Rio de Janeiro continue sendo apenas fornecedor de matéria-prima para outros estados, notadamente São Paulo”.
Vidigal exemplifica que a região norte do Rio de Janeiro tem enorme riqueza mineral, que sai dos poços da Bacia de Campos; mas que, ao invés de, com o adensamento industrial criar valor adicionado dentro do estado e um contingente muito maior de empregos e impostos, o estado vai continuando apenas como fornecedor de matéria-prima, exportando petróleo bruto.
“A exportação do petróleo bruto gera receita, gera royalties”, ratifica Vidigal que pontua: “No entanto, deixa de gerar internamente um valor adicionado muito maior do que seria, se a industrialização fosse associada à cadeia produtiva de óleo e gás, com maior número de empresas aqui nos subprodutos mais nobres da cadeia produtivo desse importante elemento, que é o petróleo”.

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