Fernando Mansur - colunistaSABRINA NICOLAZZI
Volto à bela e envolvente obra “C.G. JUNG – Uma Biografia em Livros” (Editora Vozes), de Sonu Shamdasani, edição ricamente ilustrada.
Em minha coluna anterior, mostrei como o celebrado psicanalista diferenciava dois tipos de livros, um que nasce do inconsciente pessoal do autor, e o outro que provém do inconsciente coletivo. Acrescentando que “os arquétipos liberam em nós uma voz que é mais forte que a nossa própria”. Isso explicaria o sucesso de algumas obras, que mesmo depois de séculos mantêm o mesmo frescor e vitalidade, por conterem e descreverem mitos e símbolos universais, reconhecidos por todos, ainda que inconscientemente:
“Quem fala através de imagens primordiais, fala como se tivesse mil vozes; comove e subjuga, eleva o destino pessoal ao destino da humanidade, e com isto também libera em nós todas aquelas forças benéficas que desde sempre possibilitaram à humanidade salvar-se de todos os perigos e também sobreviver à mais longa noite.”
“Quem fala através de imagens primordiais, fala como se tivesse mil vozes; comove e subjuga, eleva o destino pessoal ao destino da humanidade, e com isto também libera em nós todas aquelas forças benéficas que desde sempre possibilitaram à humanidade salvar-se de todos os perigos e também sobreviver à mais longa noite.”
Certa vez, Jung reclamou com um instrutor que achava certos livros limitadores. O instrutor então explicou-lhe que isto dependia da maneira como ele os lia:
“Você precisa saber uma coisa acima de tudo: uma sucessão de palavras não tem apenas um sentido. Mas os homens esforçam-se ao máximo por atribuir um único sentido à sequência de palavras, a fim de ter uma linguagem não ambígua. Nos níveis superiores de penetração nos pensamentos divinos, você reconhece que a sequência de palavras tem mais de um sentido válido.”
“Você precisa saber uma coisa acima de tudo: uma sucessão de palavras não tem apenas um sentido. Mas os homens esforçam-se ao máximo por atribuir um único sentido à sequência de palavras, a fim de ter uma linguagem não ambígua. Nos níveis superiores de penetração nos pensamentos divinos, você reconhece que a sequência de palavras tem mais de um sentido válido.”
Jung entendeu o recado. Na página 193, ele anotou: “É compreensível o nosso desejo de clareza inequívoca, porém esqueceríamos então que as coisas anímicas são processos vivenciais, isto é, transformações, as quais nunca devem ser designadas de uma forma unívoca se não quisermos transformar o que se move, vivo, em algo estático.”
“E pur si muove”. Acompanhemos. Vamos!

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.