Fernando Mansur - colunistaSABRINA NICOLAZZI
Puer Aeternus é o título do importante livro da analista junguiana Marie-Louise von Franz, uma das mais próximas colaboradoras do psicólogo C.G. Jung. O subtítulo é bem instigante: “A luta do adulto contra o paraíso da infância”. É a chamada “síndrome de Peter Pan”, o “menino eterno”.
Nas 300 páginas da obra, a autora analisa o famoso livro “O Pequeno Príncipe” de Saint-Exupéry – e um profético livro alemão – e “explora o potencial negativo do puer e sua relação com o complexo materno, o donjuanismo e a homossexualidade.”
O complexo materno no homem, segundo Carl Jung, é uma fixação psíquica na mãe que pode impedir a autonomia e o desenvolvimento da individualidade, resultando no que ele chama de um homem-criança. Consciente ou inconscientemente, a mãe superprotege o filho na infância e quando adulto ele poderá ficar preso a uma dependência infantil, procurando a mãe em cada mulher com quem se relaciona. Uma série de comportamentos está vinculada ao complexo materno, produzindo inúmeras consequências ao longo da vida. Marie-Louise dá vários exemplos de como esse complexo se manifesta nos relacionamentos.
Um dos casos mais surpreendentes desta síndrome é ilustrada nas páginas 188-189. Marie-Louise conta que durante a segunda guerra mundial, um médico amigo dela tratou de um alto oficial nazista que tinha úlcera. Outros oficiais, com o mesmo problema, passaram então a procurar esse médico para tratamento. “Ele disse que era incrível ver os torturadores dos campos de concentração tirar os imponentes uniformes, e debaixo dos músculos treinados de esportistas, encontrar os problemas histéricos e nervosos do estômago. Esses pseudo-heróis não passavam de filhinhos mimados de mamãe. ... Além disso, se ele tocava nos problemas deles, eles começavam a chorar.”
Este é um assunto muitíssimo importante e merece ser estudado por aqueles que reconhecem “esse aspecto da personalidade” tão comum e tão desconhecido.

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