Arte coluna Além da Vida 02 agosto 2025 VALE ESTEArte Paulo Márcio

Para nós, reencarcionistas, o esquecimento de nossas vidas passadas é um mecanismo essencial para o nosso progresso espiritual. Não se trata de uma falha ou punição, mas sim, de uma sabedoria divina que visa facilitar nossa evolução. Existem diversas razões interligadas para esse esquecimento.
O esquecimento nos permite iniciar cada encarnação com uma página em branco, por assim dizer. Se tivéssemos plena consciência de todos os erros e acertos de vidas anteriores, o fardo do passado poderia ser esmagador e dificultar nosso aprendizado atual.

Ao esquecermos, somos capazes de evitar o desânimo. Lembrar de erros graves ou sofrimentos intensos poderia gerar desânimo e nos impedir de seguir em frente com a fé e a esperança necessárias. Ao esquecermos, também superamos preconceitos: Se soubéssemos que fomos inimigos ou desafetos em vidas passadas, seria muito mais difícil perdoar, amar e conviver em harmonia nesta encarnação. O esquecimento nos permite interagir com os outros sem o peso de antigas animosidades.
O esquecimento nos faz focar nos desafios atuais. Cada vida tem propósitos e lições específicas. O esquecimento nos ajuda a concentrar nossa energia nos desafios e aprendizados que a encarnação presente nos oferece, sem a distração de problemas já superados ou de culpas passadas.
Além disso, o esquecimento é fundamental para que nosso livre-arbítrio seja exercido plenamente e para que o mérito de nossas ações seja legítimo. Se soubéssemos exatamente o que fizemos no passado e quais eram as consequências, nossas escolhas seriam menos espontâneas e o aprendizado seria comprometido.
Ao não termos plena consciência das causas e efeitos de vidas passadas, somos levados a tomar decisões baseadas em nosso discernimento atual, exercitando nossa vontade e construindo nosso caráter. As virtudes que conquistamos e os erros que superamos nesta vida têm maior valor moral e espiritual se foram resultado de um esforço consciente, sem a influência direta da memória de encarnações anteriores.
Por outro lado, muitas das dificuldades que enfrentamos na vida presente são provas (oportunidades de crescimento) ou expiações (consequências de erros passados). O esquecimento é crucial para que essas experiências cumpram seu papel educativo, como o resgate e o aprendizado. Ao passar por certas situações difíceis sem saber a causa exata, somos levados a desenvolver virtudes como paciência, resignação, perdão e humildade. Se soubéssemos a origem cármica do sofrimento, poderíamos nos revoltar ou nos acomodar.
O esquecimento impede que nos apeguemos excessivamente à autopiedade por erros passados ou que nos vangloriemos por feitos de outras vidas. Embora não tenhamos a memória explícita de vidas passadas, sabemos que o a consciência e a intuição retêm lições e tendências adquiridas. Muitas de nossas aptidões, medos irracionais, simpatias e antipatias inexplicáveis podem ser reflexos de experiências anteriores, sem que tenhamos lembrança consciente delas, como as aptidões inatas, Talentos artísticos, intelectuais ou científicos podem ser o resultado de um trabalho árduo e continuado em encarnações passadas.
Em resumo, o esquecimento das vidas passadas é um ato de misericórdia e sabedoria divina. Ele nos oferece a oportunidade de recomeçar, de exercer nosso livre-arbítrio com mérito e de focar nos aprendizados essenciais para nossa jornada evolutiva, rumo à perfeição espiritual.