Arte coluna Além da Vida 22 novembro 2025Arte Paulo Márcio

Há recomendações importantes baseadas no processo de desligamento do espírito do corpo físico, o desencarne. Nós, espíritas e umbandistas, defendemos a liberdade e conscientização, sem proibições. O que importa são as consequências espirituais e na garantia de que o espírito não sofra durante o processo.
O desligamento gradual é um dos pontos fundamentais. O espírito se desprende do corpo físico de forma gradual, e não instantânea, através do perispírito, que é o envoltório semimaterial do espírito que o liga ao corpo.
As ligações entre o corpo e o perispírito se soltam aos poucos. Este processo pode levar algum tempo para se completar totalmente. Em casos de mortes mais tranquilas e naturais, o desligamento é geralmente mais rápido. Em casos de morte violenta, acidentes ou suicídio, a separação pode ser mais lenta e penosa.
A principal recomendação é aguardar um período de pelo menos 72 horas (três dias) após o óbito para realizar a cremação. A intenção é garantir o desligamento total entre o espírito e o corpo físico. Após esse período, o processo de cremação poderá ocorrer sem causar sofrimento ao espírito, pois ele já estará completamente liberto do corpo.
Para os espíritas e umbandistas, o corpo físico é apenas um instrumento de manifestação do espírito na Terra. O espírito é imortal e sobrevive ao corpo. A cremação ou o sepultamento são apenas diferentes formas de destinar o despojo material. O que acontece com o corpo não tem efeito sobre o destino ou o estado futuro do espírito no além-túmulo, desde que o desligamento já tenha se completado.
A escolha entre cremar ou sepultar é uma questão de livre-arbítrio e respeito à vontade do indivíduo ou da família. O corpo físico é visto como um invólucro ou instrumento que serviu ao espírito e que deve retornar à natureza. A cremação é apenas uma forma de acelerar esse processo.
Em casos de mortes violentas, acidentais ou suicídio, onde o espírito pode ter um apego ou confusão maior, um período de espera ainda mais longo pode ser aconselhado. Uma vez que o desligamento do perispírito tenha ocorrido, o espírito não sente o processo de incineração do corpo. O sofrimento ocorre apenas se o desligamento ainda estiver incompleto.
A escolha pelo sepultamento ou pela cremação é indiferente. Para o espírito, não importa o destino final do corpo físico, desde que o desprendimento já tenha ocorrido. Tanto a cremação precipitada quanto o sepultamento tradicional podem causar transtornos, não ao corpo, mas ao espírito materialista. Um espírito muito apegado à matéria pode ficar preso ao corpo sepultado, sentindo a decomposição ou se apegando ao túmulo.
Em resumo, a melhor opção para o espírito é ter uma vida sem muito materialismo estando preparado para o momento da desencarnação, o que facilita o completo desprendimento, tornando o método de descarte do corpo físico secundário.