Futuro cenário de um resort milionário em Paraty - se a Justiça autorizarMPF


Nas rodas de Paraty, não se fala em outra coisa: o hotel de alto padrão com 67 cabanas, projetado para movimentar o turismo de luxo na Costa Verde, está no centro de uma disputa que já chegou à Justiça. O Ministério Público Federal entrou com uma ação pedindo a suspensão da licença de instalação concedida pela prefeitura.
Fontes na cidade sussurram que o licenciamento correu “a jato” no fim de 2024, em plena troca de gestão municipal.
O MPF aponta falhas nos estudos ambientais, falta de consulta adequada a caiçaras e indígenas e ainda alerta para o risco de o empreendimento — a poucos quilômetros do Centro Histórico e colado a um manguezal — comprometer o título de Patrimônio Mundial da Unesco, concedido à cidade em 2019.
O terreno tem um nome de peso: pertence à família de Carlos Alberto Filgueiras, fundador do grupo Emiliano, que faleceu em 2017 no acidente aéreo que também vitimou o ministro do STF Teori Zavascki.
Na ação, o MPF pede que a prefeitura, o governo do Estado e a empresa responsável sejam condenados ao pagamento de R$ 3 milhões, divididos igualmente, por danos morais coletivos. A defesa do projeto, por sua vez, afirma que todas as exigências foram cumpridas e que 98% da área será preservada, com apenas 2% do terreno ocupado pelas construções.
Enquanto a disputa segue, Paraty continua dividida: há quem veja no resort a chance de atrair turistas endinheirados e novos negócios, e quem tema que o “progresso” custe caro demais ao cenário natural e histórico da cidade. Até lá, o luxuoso hotel permanece como assunto quente nos cafés, encontros e conversas de bastidor pela Costa Verde.