Fios apreendidos: só em 2025, a Light já registrou 212 casos de furto de cabos, somando 144,5 km de fiação levada no RioFoto: Reprodução Rede Globo

Na manhã desta terça-feira (16), moradores da Tijuca ainda amanheceram sem energia elétrica. Parte do bairro seguia às escuras depois do apagão que começou na madrugada e atingiu também Vila Isabel, Centro e até áreas da Zona Sul. A Light confirmou ao jornalismo de O Dia que o motivo foi o de sempre: furto de cabos em uma linha de transmissão.
E aqui vai meu desabafo, politicamente incorreto, eu sei: me julguem, mas sou a favor de fios energizados contra ladrões de cabos. Não é defesa literal, claro. É metáfora da indignação de quem está cansado de sofrer com a ousadia de criminosos que escalam postes e arrancam quilômetros de fiação, deixando a cidade no escuro.
Nós trabalhamos, nos viramos e suamos todos os dias para pagar nossas contas — inclusive a de luz, que não é nada barata. E o que recebemos em troca? Apagões que roubam não apenas a madrugada, mas também o direito de viver o dia a dia com normalidade. Esses furtos de cabos não são só um crime contra a rede elétrica: são um assalto à paciência, ao descanso e à dignidade de quem só quer viver em paz.
O furto de cabos virou indústria paralela. O cobre é queimado, vendido no mercado clandestino e gera prejuízos milionários, além do risco de acidentes graves. Entre janeiro e agosto deste ano, a Light já registrou 212 ocorrências de furto de cabos, somando 144,5 quilômetros de fiação levada e prejuízo de R$ 13,4 milhões. Enquanto isso, quem paga a conta é sempre o cidadão: hospitais comprometidos, semáforos apagados, transportes prejudicados, comércio travado.
Eu sei: pode parecer exagero dizer que sou a favor desses fios energizados. Mas exagero mesmo é a cidade conviver com hospitais às escuras, semáforos apagados, comércio paralisado e ninguém dar uma resposta firme. O bom jornalismo aceita o contraditório, e eu estou aqui para aceitar o contraditório. Mas, se você está com pena desses ladrões, finalizo com uma boa frase clichê: faça melhor, leva para sua casa.