Aristóteles DrummondAristóteles Drummond
O relógio marca e a hora da verdade está chegando para o encontro da economia brasileira com a realidade de seus números. A corrida do governo é no sentido de sustentar a economia com oxigênio até as eleições. Mas, à medida que o quadro vai se definindo, prevalece a tradição do mercado de se antecipar. Nesta disputa, o Brasil não terá como ganhar. A reeleição, mais provável em função da rejeição à família Bolsonaro e suas trapalhadas, pode significar medidas que brigam com as leis básicas da economia numa sociedade livre e capitalista. Vencendo o filho indicado, a flagrante falta de nível, credibilidade e assessoria não permite se acreditar em uma gestão competente da imensa crise que se avizinha. A alternativa eleitoral do bom senso não parece prosperar na sociedade.
As mágicas, pedaladas e artifícios contábeis não resistem muito tempo. E existem números decisivos e definitivos. Sair da crise sem poupança interna ou atrair a externa parece difícil. Atrair investimentos com alta carga fiscal e juros entre os maiores do mundo também não parece gerador de ambiente acolhedor ao empreendedor. É pouco provável que possa dar certo a política trabalhista visando aumentar produtividade e competitividade com menos horas trabalhadas. O país deve muito, as empresas também e o cidadão está em situação de pré-colapso, socorrido pelo curioso “resenrola”.
A falta de investimentos para diminuir o Custo Brasil nos transportes, portos e energia pode pesar também negativamente, assim como a insegurança que a presença da corrupção proporciona. Até outubro as atenções estarão voltadas para o pleito, com Lula criticando as empresas.
Um choque de abertura econômica, de atração de capitais externos, parece improvável. Urge um plano de gestão da crise para que o sofrido povo não pague uma fatura gerada pela irresponsabilidade de tantos. O mundo vem procurando se alinhar com políticas objetivas que possam gerar emprego, renda e qualidade de vida. O tempo dos sonhos ideológicos já passou – os cubanos que o digam. País dividido fica difícil manter a ordem e a paz interna.
Aliás, os dois candidatos mais citados mostram não saber o que fazer com a economia.
Todo cuidado será pouco daqui para outubro.



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