Aristóteles DrummondAristóteles Drummond
Quem passa pela Via Dutra na subida da serra e vê a movimentação das obras em estado adiantado em tão pouco tempo, fica se perguntando como uma obra desta relevância ficou parada por tantos anos. Curiosamente, a intervenção — assim como a nova subida de Petrópolis — é de extrema importância para o Rio de Janeiro e passou os quatro anos do governo Bolsonaro paralisada. Seria algo natural se o ex-presidente não tivesse tantos mandatos pelo Rio e não tivesse um filho senador pelo estado. Agora, na campanha, o candidato da família não foi questionado por essa omissão.
Muita gente não entende o reconhecimento popular, através dos tempos, de gestores públicos realizadores. Figuras estaduais como Adhemar de Barros e Paulo Maluf, em São Paulo; Antônio Carlos Magalhães, na Bahia; Carlos Lacerda e Negrão de Lima, no Rio de Janeiro; Israel Pinheiro e Magalhães Pinto, em Minas Gerais; e Amaral Peixoto, no antigo estado do Rio. No âmbito nacional, Juscelino Kubitschek foi o grande realizador no setor de energia, estradas e na implantação da indústria automobilística.
Os governos de Costa e Silva, Médici e Figueiredo, também realizadores, muito deveram ao dinamismo do coronel Mário Andreazza, que cobriu o Brasil de feitos notáveis, como a Transamazônica, a duplicação da Dutra, a Rio-Santos, a construção de cinco milhões de casas populares e o dobro da oferta de saneamento básico no país. Costa Cavalcanti, ministro por mais de uma vez, foi um dos grandes responsáveis pelo ritmo das obras de Itaipu. O período ainda abrigou outros executivos de ação, como Eliseu Resende, Mário Behring, João Camilo Penna, Alysson Paolinelli e Nestor Jost, entre outros. Posteriormente, o descontrole nas contas públicas deixou o país sem projetos de Estado, passando a depender quase que exclusivamente das concessões nas mãos do setor privado.
O Brasil precisa voltar às grandes obras para atender à demanda de infraestrutura e manter o crescimento da atividade agrícola e industrial. Isso envolve a melhoria do acesso aos portos, a ampliação da capacidade deles e a manutenção do foco nos projetos ferroviários.
O país não aguenta mais este "tititi" de denúncias, de impunidade, de proteção a malfeitos, de projetos pessoais ou familiares e com zero de objetividade no que realmente interessa. A economia tem seu crescimento limitado pela falta de planejamento de longo prazo. Temos de melhorar urgentemente o perfil logístico nacional para não perder a nossa competitividade global.
Aristóteles Drummond é jornalista

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