Arte Coluna Bispo Abner 03 Agosto 2025Arte Paulo Márcio

A vida moderna nos empurra para um ritmo acelerado, para múltiplas tarefas, para metas e cobranças constantes.
Às vezes, tudo parece estar em ordem por fora: a casa está organizada, o trabalho vai bem, as pessoas ao redor estão bem. Mas, em silêncio, a alma começa a dar sinais de cansaço. Não é um cansaço que o sono resolve. É um desgaste interno, quase invisível, que vai acumulando peso sobre o coração e sobre a mente.
A alma adoece quando você cuida de todo mundo, mas esquece de cuidar de si mesmo. É bonito ser generoso, mas quando você se coloca sempre em segundo plano, quando nunca respeita suas próprias necessidades, o que sobra de você para oferecer aos outros? Quem só doa e nunca se permite receber acaba se esvaziando até perder o brilho. É como tentar encher vários copos com uma jarra que já está seca.
A alma adoece quando a comparação mata o seu valor. Em um mundo tão conectado, olhar demais para a vida dos outros virou um hábito quase automático.
Mas essa comparação constante traz a sensação de que você está sempre atrasado, sempre aquém, sempre insuficiente. O problema é que você enxerga apenas os recortes mais bonitos da vida alheia e esquece que cada pessoa carrega histórias, dores e lutas que não aparecem.
Enquanto isso, deixa de perceber que também tem conquistas, dons e uma trajetória única que não precisa ser medida pela régua de ninguém.
Outro fator que corrói a paz interior é tornar-se escravo da perfeição. Buscar evolução é saudável, mas acreditar que precisa ser impecável em tudo gera ansiedade e frustração. A perfeição é inalcançável, e insistir nessa busca só reforça a sensação de fracasso. A vida é feita de tentativas, erros e aprendizados, e aceitar que não dá para controlar tudo é um ato de liberdade.
A alma também se desgasta quando você serve demais ou serve de menos. Dar sem limites, sem saber dizer “não”, leva ao esgotamento. Mas não contribuir com nada, viver sem se sentir útil, gera um vazio profundo. O equilíbrio é a chave: saber quando estender a mão e quando recolher-se para se recompor. Nenhum extremo é saudável.
E há um ponto crucial: você adoece quando nunca para. Viver em movimento constante, sem pausas, faz o corpo e a mente entrarem em colapso. Até as máquinas precisam de manutenção, imagine o ser humano. O descanso não é perda de tempo, é uma necessidade vital.
PNão parar nunca é como tentar correr uma maratona sem fôlego, uma hora o corpo cobra, a mente trava e o coração desaba.
Por fim, a culpa por descansar é outro veneno. Quando você sente que parar é errado, que só é digno se estiver produzindo algo, significa que está preso a uma autocobrança excessiva. Descansar não é sinal de fraqueza, é sinal de inteligência. É nesse momento de pausa que a mente clareia, o corpo se restaura e a vida se reorganiza.
Cuidar da alma não é luxo, é sobrevivência. Não é apenas sobre evitar doenças físicas, mas sobre cultivar leveza, equilíbrio e bem-estar. É entender que produtividade não define valor e que o mundo não vai desmoronar se você parar para respirar. Não espere chegar ao limite para perceber que você também é prioridade. Quem se cuida melhor vive mais presente para o que realmente importa.
Oração:
Senhor, ensina-me a respeitar meus limites, a cuidar do que vai dentro de mim antes que se torne pesado demais. Que eu saiba parar sem culpa, descansar sem medo e guardar meu coração de tudo o que o adoece. Em nome de Jesus. Amém.