Arte coluna Kakay 02 abril 2026_VERSAO ONLINEArte Paulo Márcio
“Para sentir a grandeza
A beleza do meu país
Basta uma só condição
É ser brasileiro e ter coração
Rio de Janeiro.”
Ary Barroso, canção Rio de Janeiro
A beleza do meu país
Basta uma só condição
É ser brasileiro e ter coração
Rio de Janeiro.”
Ary Barroso, canção Rio de Janeiro
O mundo inteiro é encantado pela beleza, pelo charme e por uma certa magia do Rio de Janeiro. Nós, mineiros, somos apaixonados pela cidade. Quando recebi o título de cidadão honorário, fiz um discurso na Assembleia em que falei da emoção de descer das montanhas de Minas e desaguar no mar. Ser cidadão carioca me dá enorme alegria e prazer. Eu, que, quando fui ao Rio pela primeira vez, dormi em um banco na praça, na Rua Barata Ribeiro, por não ter como pagar um hotel na última noite, fiquei realizado quando, anos depois, comprei um apartamento na Vieira Souto, com vista para o mar e para os Dois Irmãos. O Rio nos acolhe a todos.
Por isso, dá uma tristeza enorme ver a desgraça política que a milícia fez e faz com a cidade maravilhosa e com o estado. Muito mais drástica e perversa do que os bicheiros ou mesmo as drogas, a milícia é quem domina e corrompe o Rio de Janeiro. Os milicianos dominam e controlam as comunidades. Elegem vereadores, prefeitos, deputados, governadores e até Presidente da República. O resultado disso é o caos institucional instalado no estado. Basta acompanhar o destino dos últimos governadores. É absolutamente inaceitável, inacreditável e constrangedor. Vejamos os últimos governadores que foram presos ou afastados:
Moreira Franco (1987-1991): preso preventivamente na Lava Jato em março de 2019
Garotinho (1992-2002): preso em 2016, 2017 e 2019
Rosinha Garotinho (2003-2006): presa em 2017 e 2019
Sérgio Cabral (2007-2014): preso em 2016
Pezão (2014-2018): preso em 2018
Wilson Witzel (2019-2021): foi afastado do cargo em 2020 e sofreu impeachment em 2021
Cláudio Castro renunciou para evitar ser cassado, mas foi condenado por abuso de poder econômico e está inelegível.
Garotinho (1992-2002): preso em 2016, 2017 e 2019
Rosinha Garotinho (2003-2006): presa em 2017 e 2019
Sérgio Cabral (2007-2014): preso em 2016
Pezão (2014-2018): preso em 2018
Wilson Witzel (2019-2021): foi afastado do cargo em 2020 e sofreu impeachment em 2021
Cláudio Castro renunciou para evitar ser cassado, mas foi condenado por abuso de poder econômico e está inelegível.
No pleito de 2022, o então candidato Cláudio Castro promoveu, dentre outros abusos, um verdadeiro crime na CEPERJ, com milhares de funcionários fantasmas e 226,5 milhões de reais sacados para fraudar as eleições. O deputado Marcelo Freixo, opositor de Castro, teria ganhado as eleições se não houvesse fraude. Freixo bateu às portas do Tribunal Eleitoral, mas a morosidade do Judiciário só veio a julgar o governador agora. Vergonha nacional!
E é importante ressaltar que a condenação não resolve o imbróglio. É necessário decidir quem vai terminar o mandato como governador do Rio de Janeiro até 1º de janeiro de 2027, pois o vice renunciou. A questão jurídica está submetida ao Plenário do Supremo Tribunal Federal. Mais uma vez, o Judiciário é chamado a decidir uma questão de extrema relevância política. O Supremo Tribunal está dividido entre uma eleição indireta e outra direta para o mandato tampão.
Nessa hora seria importante ouvir o sofrido povo do Rio de Janeiro. Se as eleições forem indiretas, a Assembleia Legislativa, povoada pela milícia, vai decidir os destinos do estado. Se existem argumentos jurídicos para ambas as teses, deixemos que o povo carioca decida quem deve governar o Rio de Janeiro. Uma eleição direta reduz a força da milícia. Vamos dar uma chance ao Rio de Janeiro. Diretas já!
“Minha alma canta.
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudade
Rio teu mar, praias sem fim,
Rio você foi feito pra mim.”
Tom Jobim, canção Samba do Avião
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudade
Rio teu mar, praias sem fim,
Rio você foi feito pra mim.”
Tom Jobim, canção Samba do Avião
Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay



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