O conflito no Oriente Médio tem potencial para mexer com os preços do petróleo e afetar todo o mundoDivulgação
Tensão mundial: o petróleo no centro do jogo
Conflito entre Israel e Irã pode elevar o preço do petróleo e impactar economias globais, reforçando a urgência por fontes de energia sustentáveis.
A sexta-feira, 13 de junho, começou com uma notícia alarmante: Israel promoveu uma série de ataques ao Irã, que prometeu revidar. O mundo acordou atônito, assistindo à escalada de tensões no Oriente Médio, ciente de que os impactos não se limitarão à região — terão desdobramentos globais, sobretudo nos mercados de energia e na estabilidade geopolítica.
Dois pontos merecem atenção especial.
O primeiro ponto é a possibilidade sombria de que este confronto represente o início de uma guerra prolongada, com o envolvimento direto das maiores potências mundiais. Esse cenário colocaria em xeque a já frágil estabilidade geopolítica da região e pressionaria rapidamente o preço internacional do barril de petróleo. Uma resposta mais agressiva do Irã, como o fechamento do Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde escoa grande parte do petróleo exportado pelo Oriente Médio —, pode desencadear um choque global de oferta energética.
O segundo ponto diz respeito às implicações de médio prazo. Na macroeconomia do petróleo, o mundo se divide em dois blocos: os importadores — com destaque para a China e os países europeus — e os exportadores, como Brasil, Rússia, EUA e Arábia Saudita. A alta nos preços tende a beneficiar economicamente os exportadores, enquanto pressiona os importadores — com destaque negativo para a China, cuja dependência energética pode agravar seu risco de recessão.
A inflação global, já pressionada por outros fatores, tende a subir. Com isso, os bancos centrais devem manter as taxas de juros elevadas por mais tempo. Esse novo ciclo poderá comprometer a recuperação de diversas economias.
O Brasil, no entanto, pode sentir efeitos distintos. Como um dos dez maiores produtores de petróleo do mundo, o país tende a ser beneficiado pelo aumento do preço do barril. Estados produtores como o Rio de Janeiro — especialmente seus municípios que dependem dos royalties — podem ver um alívio nas receitas, minimizando a expectativa de queda nos repasses previstos para o segundo semestre de 2025 e o início de 2026.
Esse respiro financeiro vem em boa hora, diante das dificuldades enfrentadas recentemente. No entanto, é inevitável reconhecer o paradoxo: tal benefício ocorre em um contexto de dor e instabilidade global, quando o que todos desejam é que o progresso seja fruto da paz, e não da guerra.
Seguiremos atentos aos desdobramentos no Oriente Médio. Mas, mais do que isso, é hora de redobrar o olhar para o futuro. A crescente instabilidade geopolítica reforça a urgência de avançarmos na transição para fontes de energia limpas e renováveis. O caminho para uma economia mais resiliente e sustentável passa, inevitavelmente, por uma menor dependência dos combustíveis fósseis. Que saibamos transformar crises em oportunidades — e que a busca por prosperidade esteja sempre atrelada à construção da paz.

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