Painéis fotovoltaicos: Campos pretende utilizar energia solar para prédios da prefeitura e serviço de iluminação públicaCésar Ferreira

Enquanto em muitas regiões do país a energia solar fotovoltaica ainda é tratada como uma promessa de futuro, em Campos dos Goytacazes ela já é uma realidade presente — e em plena expansão. Sob a liderança do prefeito Wladimir Garotinho, o município se prepara para dar um passo histórico na área de sustentabilidade energética com a implantação de uma usina solar fotovoltaica por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP). A finalidade será suprir toda a demanda de energia elétrica das estruturas físicas da Administração Direta e Indireta da Prefeitura.
O projeto contempla desde a sede administrativa do governo municipal até escolas, unidades de saúde e outros prédios públicos, incluindo também a iluminação pública. Essa iniciativa representa não apenas uma economia significativa aos cofres públicos, mas também um compromisso concreto do prefeito com a transição para fontes limpas e renováveis de energia.
Para garantir transparência e competitividade, a Prefeitura de Campos abriu uma consulta pública, permitindo que empresas interessadas enviem suas contribuições e sugestões até o 30 de outubro. No dia 31, será realizada uma sessão pública de apresentação do projeto de PPP na sede do governo municipal. O processo segue os parâmetros da Lei Federal nº 11.079, que regulamenta as Parcerias Público-Privadas no Brasil. Trata-se de uma Manifestação de Interesse Privado (MIP) — instrumento pelo qual uma empresa apresenta uma proposta e o poder público, ao avaliar sua viabilidade, abre a possibilidade para que outras companhias também contribuam com aprimoramentos ou alternativas ao projeto inicial.
A implantação da usina fotovoltaica representa um marco na utilização de energia limpa no Norte Fluminense. Com grande parte do território plano e uma das maiores taxas de insolação do estado, Campos ocupa o segundo lugar no ranking fluminense de geração de energia solar, ficando atrás apenas da capital. Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o município registrou em agosto 107.031 kWpico de potência instalada em 16.605 sistemas, comprovando a força e o ritmo de crescimento do setor na região.
Além do impacto ambiental positivo, o avanço da energia solar se destaca pelo aspecto econômico. Diante dos sucessivos reajustes nas tarifas de energia e das frequentes estiagens que reduzem a capacidade das hidrelétricas — forçando o uso de termelétricas, mais caras e poluentes —, a energia solar se consolida como uma alternativa cada vez mais viável.
Muitas famílias e pequenos empreendedores têm feito as contas e percebido que investir em um sistema fotovoltaico pode ser financeiramente vantajoso. Mesmo com a taxa Selic em 15% ao ano, o retorno do investimento tem se mostrado atrativo, especialmente para quem paga contas de energia acima de R$ 400 ou tem consumo diurno, como é o caso de pequenos comércios. Projeções indicam que a tarifa de energia elétrica deve subir 6,3% em 2025, percentual acima da inflação esperada para o mesmo período — o que reforça o apelo econômico da geração distribuída.
É claro que a decisão de investir em energia solar depende de fatores técnicos e financeiros, como área disponível, sombreamento, tarifa vigente, condições de crédito e qualidade do instalador. Mais importante do que buscar apenas uma taxa de juros atrativa é compreender o custo total efetivo (CET) e as garantias envolvidas. E a realidade indica vantagens e um caminho sem volta rumo a matrizes energéticas mais limpas, eficientes e acessíveis.