O caso aconteceu em 2005Reprodução/Portal Leo Dias/ Youtube
Netinho de Paula contou que não admite piadas de cunho racista e condenou o tom adotado pelos programas da época. “Aquele humor, que era importado, metido a irreverente, mas era desrespeitoso. Foi uma fase que o Brasil viveu”, disse. O artista também recordou o reencontro com o repórter após o ocorrido. “Não sei se perdoei, mas também se não perdoou… Ele veio fazer uma matéria depois e falou: ‘Você não deve nunca mais bater em ninguém’. E eu disse: ‘E você não deve fazer piadas de negro no dia 20 de novembro’”, relatou ele.
O cantor afirmou que o repórter ultrapassou os limites e explicou o que o levou a ter uma reação tão extrema. “Ninguém bate por nada. Mandei parar três vezes, não parou, dei um soco nele. Era Dia da Consciência Negra, senhorinhas estavam recebendo homenagens”, relembrou. Netinho ainda comparou a situação com outro personagem, que pintava o rosto de marrom para interpretar um personagem negro. “Nunca liguei para essas coisas de humor. Tinha um menino que fazia o Mano Quietinho, maior barato, um querido, mas ele [Vesgo] passou do ponto”, completou.
O apresentador do extinto programa "Domingo da Gente" também ressaltou a importância histórica da data. “O problema no Brasil, às vezes, é você ter cultura. Para mim, 20 de Novembro é uma data muito significativa, tem a ver com a minha história, com a minha família, minha gente, meu povo”, afirmou o apresentador. “Da mesma forma que judeus param para analisar e discutir sobre o holocausto, 20 de novembro é o dia que paramos para discutir o que sofremos no país. Não é dia de piadinha e brincadeira”, concluiu.
O caso aconteceu em 2005. Vesgo entrou com uma ação contra Netinho e, em 2010, recebeu uma indenização de R$ 45 mil. Já em 2014, uma nova disputa judicial se iniciou, quando o humorista processou o cantor por calúnia, resultando em mais um pagamento, desta vez no valor de R$ 18 mil.


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