O assunto vem sendo bastante debatido nas redes sociais nas últimas semanasReprodução/Instagram
Ana Paula Padrão analisa críticas a bebês reborn: 'Infantis'
A jornalista vê nas críticas um movimento contra as mulheres e uma tentativa de descredibilizar o feminismo
O tema bebês reborn, como são chamadas bonecas realistas, tomou conta das redes sociais nas últimas semanas, e a jornalista Ana Paula Padrão usou as redes sociais para fazer uma análise sobre a polêmica. Na publicação, ela questionou a quem interessa transformar a imagem das mulheres em seres "infantis" e mentalmente perturbadas. A profissional ainda afirmou que isso é um movimento de tentativa de descredibilizar o feminismo, além de ter apontado homens como autores disso.
A reflexão foi publicada no perfil do Instagram da ex-apresentadora do "MasterChef Brasil", e ela revelou que não conhecia esse tipo de boneca. "Um dia eu nunca tinha ouvido falar de bebê reborn e no outro eu só ouço falar de bebê reborn. Assim como eu nunca tinha ouvido falar de esposas troféu e, de repente, é só esposa troféu. Esses fenômenos chegam até mim e provavelmente chegam até você como se essas fossem as tendências pro futuro das mulheres", pontuou.
Em seguida, a ex-contratada da Band deixou claro que esse tipo de comportamento não importa, desde que não atrapalhe a vida alheia. "Eu não tô nem aí se uma mulher adulta quer brincar de boneca. A não ser, é claro, que ela exija uma vaga do SUS pra essa boneca. Mas aí essa mulher já tá apresentando uma patologia que precisa de tratamento. Também não tô nem aí se ela quer virar um troféu pro marido exibir socialmente. Mas isso, gente, não representa as mulheres porque nós não somos estúpidas a esse ponto. Nem infantis a esse ponto", disse.
Ana Paula então detalhou os números relacionados às vendas dos tão comentados bebês reborn e afirmou que este tipo de mercado é algo nichado. "Mas se eu me dei ao trabalho de pesquisar sobre o tamanho desse mercado e concluir que é um nicho, a quem interessa ficar nos representando, a todas nós mulheres, como um bando de idiotas infantilizadas que agora só se interessa pela fantasia dos livros de colorir ursinhos e de recém-nascidos de plástico?", questionou. A jornalista também fez questão de lembrar que o Brasil possui cerca de 25 milhões de mulheres trabalhando de carteira assinada, buscando o sustento de suas famílias, e que é raro encontrar gente que realmente brinque com isso.
"Mas quando até pessoas como eu e você, que não costumam ser impactadas por esse tipo de bizarrice na timeline, agora só recebem isso, parece que é uma onda que tomou conta de todas as mulheres do planeta. A quem interessa isso?", ela questionou novamente. Ela também fez um comparativo com um comportamento masculino que também está em alta. "Não te parece curioso que, ao mesmo tempo, a gente se depare também todo dia com o surgimento de grupos de homens que sobem a montanha parando pra emitir ruídos guturais e prometendo ser bons pais de família pras mulheres que os esperam em casa com um café quentinho?"
Padrão então deu uma dica sobre a origem dessa onda de ataques às mulheres. "Quando eu comecei a fuçar esses assuntos, eu li alguns artigos publicados em mídias não muito conhecidas, meio obscuras, que defendem que o reborn é o resultado do fracasso da cultura feminista que apagou o instinto materno em nome da libertação das mulheres. E agora às arrependidas só resta embalar no colo uma fantasia. Artigos escritos por homens. E você sabe de que tipo de homem eu tô falando", disse ela, fazendo referência aos que acreditam ser a espécie dominante.
"Então eu te convido a pensar: a quem interessa nos rotular de infantis, nos transformar em perturbadas mentais, incapazes, vítimas de movimentos radicais, incapazes de viver sem a proteção de um homem? A quem interessa?", finalizou ela.

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