Gabriel Kater expõe bastidores do streaming vertical após gravar 20 novelas em 14 mesesFoto: Reprodução/ Redes sociais

Se você passa mais de dez minutos navegando pelo TikTok ou Kwai, com certeza já cruzou com o rosto dele. Aos 26 anos, o ator e cantor Gabriel Kater virou uma verdadeira máquina de engajamento e o novo queridinho das produções feitas para celular. Natural de Presidente Prudente (SP), o jovem se mudou para a capital paulista aos 18 com o sonho de viver da arte. Hoje, ele colhe os frutos de um mercado que movimenta milhões e não para de crescer.
A coluna Daniel Nascimento, que está sempre de olho em quem anda balançando os bastidores do entretenimento, descobriu que Gabriel acabou de rodar sua 20ª produção vertical: a novela "Ele é selvagem", dirigida por Marinho Moraes. E se você acha que ele tem tempo para descansar, se enganou. O ritmo do rapaz é de estrela de Hollywood.
"Exatamente nesse momento em que estou respondendo, acabei de gravar a minha última cena da minha 20ª novela vertical e daqui a dois dias já começo a gravar a 21ª. É um ritmo industrial muito acelerado. Foram 20 novelas em um ano e dois meses", revelou o ator com exclusividade para a coluna.
O segredo do 'desapego' e o assédio no direct
Diferente do cinema tradicional, onde o artista passa meses imerso no mesmo papel, o formato vertical exige jogo de cintura rápida. Gabriel conta que desenvolveu um método próprio para não misturar os canais. "Às vezes, na metade de uma novela eu já sei que vou gravar a próxima. Entendi como conseguir entrar em um personagem, sair muito rápido dele e já entrar no próximo", explica.
Tanto sucesso na tela do celular, obviamente, se reflete nas redes sociais. Perguntamos ao ator se o rótulo de "galã do streaming" tem aumentado o assédio em suas mensagens privadas. Ele garante que lida com muita leveza e que o retorno do público, mesmo quando interpreta vilões odiados, é o melhor termômetro.
"Já recebi algumas mensagens no direct de pessoas dizendo que assistiram e comentando que me odiaram, mas no sentido positivo, porque fiz alguns vilões bem detestáveis. Nós, atores, costumamos dizer que se as pessoas estão te detestando, significa que você fez um bom trabalho. É muito diferenciado quando você recebe o elogio do público que assistiu sem o olhar técnico, apenas como entretenimento."
O jogo virou: O preconceito ficou para trás
No início, o formato de mininovelas para celular foi recebido com desconfiança por quem estava acostumado com o padrão da TV aberta. Gabriel lembra que o preconceito existia, mas avisa que o cenário mudou drasticamente:
"No início, as pessoas tratavam o vertical como algo sem seriedade. Teve um pré-julgamento muito forte. Mas hoje em dia o jogo mudou muito. Você vê atores já considerados consagrados fazendo vertical, grandes nomes, e empresas como o Globoplay criando suas próprias produções. É um meio que ganhou o respeito devido."
Da internet para o horário nobre?
Após oito anos de estudos intensos, faculdade de teatro e muitos "nãos" em testes tradicionais, foi o mercado digital que abriu as portas financeiras e profissionais para o jovem paulista. Questionado se o foco total no celular substitui o desejo de brilhar na TV tradicional, ele abre o coração e assume que o sonho de menino continua vivo.
"O mercado vertical foi o que me deu os meus primeiros 'sins'. É ele que está me possibilitando viver financeiramente da minha atuação. Mas claro que o sonho de menino, de estar em um lugar de prestígio como uma novela da Globo ou em um longa-metragem no cinema, existe. Eu espero um dia alcançar esses lugares, mas sou ator: do teatro musical à TV, do horizontal ao vertical, eu quero continuar fazendo o que eu estudei", finaliza o galã.