A técnica em contabilidade Luciene Pedroso Tardivo com Rita de CássiaDivulgação
Transmitida pela picada do mosquito-palha, a doença pode se manifestar em cães e humanos de forma silenciosa e agressiva. No caso dos pets, os sintomas vão desde feridas na pele e emagrecimento até problemas renais graves. Já nos humanos, a forma visceral é a mais perigosa, podendo provocar febre irregular, aumento do fígado e do baço, anemia e risco de morte se não for tratada a tempo.
“A Leishmaniose é uma das zoonoses mais preocupantes da atualidade. A população ainda desconhece os riscos reais da doença e a importância da prevenção. Por isso, o Agosto Verde Claro é uma oportunidade essencial para levar informação de qualidade às pessoas”, destaca Francis Flosi, médico-veterinário e diretor da Faculdade Qualittas, referência nacional na formação de especialistas em Medicina Veterinária.
Expansão geográfica e riscos urbanos
“A mudança no perfil geográfico da doença é alarmante. Rodovias como a Marechal Rondon, por exemplo, têm funcionado como eixos de disseminação. Animais infectados transitam entre cidades, favorecendo a propagação do parasita. É um problema que ultrapassa os limites da Medicina Veterinária e exige atuação integrada entre poder público, profissionais de saúde e sociedade civil”, reforça Francis Flosi.
Prevenção: responsabilidade compartilhada
Proteger janelas e portas com telas finas para evitar a entrada do mosquito e realizar exames periódicos em pets, mesmo sem sintomas visíveis.
Em humanos, o tratamento da Leishmaniose é oferecido gratuitamente pelo SUS. Já para cães, embora a doença não tenha cura definitiva, há protocolos que permitem controle clínico e qualidade de vida, desde que realizados com acompanhamento veterinário.
Um compromisso com a vida
“Proteger os animais é também proteger os humanos. É hora de olhar com mais seriedade para essa zoonose e entender que a informação pode salvar vidas”, conclui Francis Flosi.
Cinco cães, uma só doença: a dura realidade da Leishmaniose Canina
Luciane Pedroso Tardivo, técnica em contabilidade, compartilha sua história marcada por perdas, aprendizados e o desafio contínuo de conviver com uma doença negligenciada
Durante anos, a técnica em contabilidade Luciane Pedroso, moradora do Engenho Novo, na Zona Norte do Rio, enfrentou, dentro da própria casa, uma luta silenciosa e dolorosa contra uma doença que muitos ainda desconhecem: a Leishmaniose Visceral Canina. Transmitida pela picada do mosquito-palha, a doença não afeta apenas os animais — é também uma zoonose grave, ou seja, pode ser transmitida para os seres humanos.
Luciane sabe bem disso. Desde o primeiro diagnóstico, já perdeu três cães para a doença e atualmente cuida de outras duas cadelas que vivem sob tratamento contínuo. O que começou como uma falta de informação virou uma verdadeira batalha pela vida de seus companheiros de quatro patas.
“Na época, eu não tinha muita informação sobre a Leishmaniose”, lembra Luciane. “Foi um choque. Os sintomas eram diferentes em cada um deles, e a doença foi se manifestando de formas imprevisíveis.”
O primeiro a adoecer foi Bethoven, um cão idoso, grande e de pelagem preta. “Ele teve anemia, sarna demodécica e insuficiência renal. Quando descobrimos, já estava em um estágio avançado.” Em seguida, foi a vez de Fred, um poodle branco também idoso. “No Fred, a doença apareceu de forma agressiva na pele. Ele ficou com feridas espalhadas pelo corpo e anemia profunda.”
A perda mais difícil veio com Lady Laura, uma cadela jovem que sequer completou cinco anos. “Ela não teve feridas visíveis, nem sarna. A doença atacou diretamente os rins e a levou rapidamente”, conta Luciane, com tristeza. Mesmo após essas perdas, a batalha não terminou. Duas de suas atuais cadelas, Fugue e Rita de Cássia, também foram diagnosticadas com Leishmaniose. Fugue, após concluir o tratamento, permanece assintomática, mas o acompanhamento continua. Já Rita vive um ciclo mais instável.
“Ela tem períodos em que os sintomas desaparecem, mas basta uma queda na imunidade para que tudo volte. As feridas aparecem nas pontas das orelhas e nas patas, junto com sarna demodécica”, explica Luciane.
A Leishmaniose não tem cura. Os tratamentos disponíveis são considerados paliativos, voltados para controlar os sintomas e prolongar a qualidade de vida dos animais. Segundo especialistas, a prevenção ainda é a forma mais eficaz de combate: uso de coleiras repelentes, telagem em áreas endêmicas, vacinação e controle do vetor (o mosquito-palha).
Luciane, que não mede esforços para cuidar dos animais, hoje também compartilha sua história como forma de alerta. “As pessoas precisam entender que a Leishmaniose é uma realidade. Está mais perto do que imaginamos, e qualquer descuido pode custar vidas. Informação é tudo.”
A experiência dela escancara a urgência de políticas públicas mais efetivas, campanhas de conscientização e acesso a tratamentos mais amplos. Enquanto isso não acontece, histórias como a de Luciane continuam a se repetir silenciosamente em muitas casas do Brasil.
Dedicação sem limites: protetora abriga 49 gatos e cães resgatados, dividindo a vida e o salário com eles
A rotina de Luciene Pedroso Tardivo é marcada por cuidados, remédios, limpeza, alimentação e muito carinho. Além de acolher cães resgatados das ruas, ela é responsável por um verdadeiro santuário felino dentro da própria casa. Hoje, abriga 49 gatos, todos retirados de situações de abandono ou maus-tratos.
A organização do espaço segue um rigor digno de hospital veterinário. Um dos quartos é destinado exclusivamente a gatos com FIV (Imunodeficiência Viral Felina) e outro a animais com FeLV (Leucemia Felina). A separação, explica Luciene, é fundamental para evitar a transmissão das doenças.
No próprio quarto da protetora vive Thor, um gatinho cego que foi abandonado e, recentemente, passou por uma cirurgia delicada para a retirada de todos os dentes. “Ele precisa de atenção especial e eu faço questão de tê-lo perto de mim”, conta.
O trabalho de Luciene exige não só dedicação física e emocional, mas também um investimento financeiro constante. “Quase tudo o que eu ganho, eu divido com os animais. Eles são a minha razão de viver”, resume.
A rotina começa cedo e não tem hora para terminar. Entre limpar os espaços, administrar medicamentos, levar para consultas e garantir que todos se alimentem bem, sobra pouco tempo para si mesma. Mas, para ela, não existe outra escolha. “Quando resgato um animal, assumo um compromisso para a vida inteira. Não existe abandono aqui, só acolhimento”, afirma.
Casos como o de Luciene refletem a realidade de centenas de protetores independentes, que atuam de forma voluntária e quase sempre sem apoio externo. Entre a falta de recursos e as demandas cada vez maiores, o amor pelos animais é o combustível que mantém essa rede de cuidados funcionando.
“Eu sei que não vou mudar o mundo sozinha, mas posso mudar o mundo de cada um deles. E isso já vale tudo”, conclui Luciene.
Adoção é ajuda - (21) 99582-7808






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