Evento celebra marca de 200 carteirinhas de cães de suporte emocional emitidas no estado do Rio; ao centro, a secretária de Saúde, Cláudia MelloDivulgação
O afeto que antes era percebido apenas como companhia, hoje se confirma como parte de um cuidado amplo, reconhecido e até certificado. E esse reconhecimento já mudou a rotina de mais de duzentas famílias no estado.
Cresce o número de cães reconhecidos como apoio emocional
Durante sua participação no FisWeek, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) anunciou que mais de 200 carteirinhas de cães de suporte emocional já foram emitidas desde fevereiro de 2022. O balanço foi apresentado na roda de conversa “O papo agora é”, no estande da secretaria. A certificação garante que os animais possam acompanhar seus tutores em espaços públicos e privados, sempre que houver recomendação profissional.
A lei que começou com uma história pessoal
A regulamentação desse tipo de apoio no estado nasceu de uma vivência da própria coordenadora do projeto, Danielle Cristo, tutora do golden retriever Rudá. Ela destaca que o cão não substitui tratamento e acompanhamento profissional, mas é um apoio importante para pessoas diagnosticadas com depressão, ansiedade e outros transtornos. A convivência com Rudá trouxe visibilidade ao tema dentro da própria secretaria e ajudou a ampliar o conhecimento da população sobre o direito ao suporte emocional.
Processo simples, gratuito e em expansão
A demanda pela certificação cresce toda semana. O programa aceita cães de qualquer raça, inclusive os sem raça definida. Segundo Danielle, o que importa é o comportamento, o preparo e a capacidade do animal de exercer o papel de apoio emocional. O laudo médico precisa ser renovado a cada seis meses, garantindo seriedade e acompanhamento contínuo do caso.
A história de Daniela: do luto ao reencontro com o apoio emocional
Daniela Cristo, tutora de Rudá, lembra que sua relação com os cães de suporte emocional começou anos antes, com Prínce, um golden que a acompanhou durante uma fase delicada da vida. Com a morte dele, Daniela acreditou que não conseguiria mais ter outro animal, até cruzar com Rudá, que hoje desempenha a mesma função de apoio emocional e a ajuda a lidar com crises de ansiedade e momentos de solidão. Ela conta que o vínculo com os dois cães mudou sua rotina e a forma como lida com a própria saúde mental.
“Eu achava que nunca mais teria um cão como o Príncipe, mas o Rudá chegou para me mostrar que o amor recomeça. Ele sente quando eu estou mal, vem devagar, encosta a cabeça e fica comigo até eu me acalmar. É uma companhia que me traz força e estabilidade”, afirma Daniela.
Um olhar mais amplo sobre o que é saúde
Para a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, saúde envolve também bem-estar emocional. A presença de cães treinados e certificados reforça esse entendimento, integrando cuidado mental e apoio prático no cotidiano do tutor. A ação fortalece iniciativas voltadas à saúde mental, ampliando a rede de acolhimento e respeito às necessidades individuais.
Informação acessível e acompanhamento constante
A SES-RJ mantém um canal exclusivo para esclarecer dúvidas e receber documentos para a certificação: suporte.emocional@saude.rj.gov.br. A secretaria reforça a importância de que apenas cães preparados e com vacinação em dia participem do programa, garantindo segurança para todos nos locais onde irão circular.
Uma mudança cultural em andamento
A expansão do programa mostra que a relação entre humanos e cães está sendo compreendida de forma mais profunda. Muitos animais adotados tornam-se excelentes cães de suporte emocional, provando que vínculo, preparo e sensibilidade são mais importantes do que qualquer padrão estético. Para muitos tutores, como Vânia, esses cães representam uma redefinição de rotina, autonomia e qualidade de vida.
A presença que transforma o dia
O reconhecimento oficial dos cães de suporte emocional acompanha uma percepção que já faz parte do cotidiano de muitos tutores. A simples presença do animal reduz estresse, organiza a rotina e traz sensação de segurança. Em momentos de fragilidade, ele se torna um ponto de equilíbrio. É como a importância de se ter um animal de suporte emocional: mais do que companhia, ele oferece acolhimento, estabilidade e apoio nos dias em que tudo pesa mais. Em um mundo acelerado, onde o cuidado emocional se tornou essencial, esses cães lembram que, às vezes, a cura chega de forma silenciosa, afetuosa e com quatro patas.
Além do acolhimento individual, especialistas destacam que os animais de apoio emocional têm ganhado espaço como aliados fundamentais na saúde mental. Diferentemente dos cães de serviço, eles não precisam executar tarefas específicas, mas oferecem segurança afetiva, reduzem crises de ansiedade e promovem bem-estar contínuo.






Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.