Janeiro Branco alerta para saúde mental dos petsReprodução
Tradicionalmente voltada à conscientização sobre a saúde mental humana, a campanha ganha novos contornos ao incorporar o comportamento e o estado emocional dos cães, cada vez mais presentes nos lares brasileiros. Richardson Zago, especialista em comportamento canino, fundador da Zago Adestramento e fundador honorário do Patinhas Urbanas, alerta que ignorar as necessidades mentais dos animais pode desencadear desequilíbrios comportamentais com impacto direto na convivência doméstica.
“Ainda existe a ideia de que o cachorro precisa apenas de amor, carinho, comida e cuidados veterinários. Mas o equilíbrio mental não funciona assim. O cão é uma espécie diferente da nossa, com necessidades próprias, e quando isso não é respeitado surgem problemas como ansiedade, agitação excessiva e comportamentos destrutivos”, afirma Zago.
Na prática, sinais como latidos excessivos, inquietação constante e destruição de objetos costumam indicar estresse ou tédio e, em muitos casos, a combinação dos dois. Segundo o especialista, isso não significa ausência total de estímulos, mas estímulos inadequados. “Um cachorro pode até estar sendo mentalmente estimulado, mas de forma errada. Um exemplo comum é o animal que passa horas na frente do portão ou sobre uma garagem observando movimento intenso, crianças brincando, carros passando. Isso gera sobrecarga, mais agito e estresse, não equilíbrio”, explica.
Zago ressalta que o estímulo mental saudável precisa ser direcionado e respeitar as características da espécie e das raças. “Um cão corretamente estimulado mentalmente tende a ser mais calmo, confiante e adaptável. O problema é quando a estimulação não respeita a função natural daquele animal. Cães farejadores precisam usar o olfato, cães labradores e raças como golden retriever têm relação natural com a água, cães de guarda precisam exercer funções de vigilância, e raças de alta energia, como o border collie, precisam gastar energia de forma estruturada. Tudo isso faz parte do equilíbrio mental”, diz.
Nesse contexto, o papel das creches caninas ganha relevância como ferramenta preventiva. Para Daniel Navarro, sócio do Patinhas Urbanas, esses espaços integram saúde física e mental de forma organizada. “A creche oferece rotina, socialização supervisionada e atividades pensadas para o perfil de cada cão. Isso reduz o estresse, melhora o comportamento e contribui para um animal mais equilibrado no dia a dia. Não se trata apenas de gastar energia, mas de oferecer estímulos corretos, com acompanhamento profissional adequado”, afirma.
Dados da Abinpet indicam que o crescimento do mercado pet está diretamente ligado à procura por serviços como day care, enriquecimento ambiental e acompanhamento comportamental, refletindo uma compreensão mais ampla de que saúde mental não é individual, mas coletiva dentro do ambiente familiar.
Ao ampliar o alcance do Janeiro Branco, o especialista em comportamento canino defende que o debate funcione como um alerta permanente. “Quando o cachorro está emocionalmente equilibrado, toda a casa sente esse reflexo. Cuidar da saúde mental do pet é entender suas necessidades reais, respeitar a espécie, a raça e promover um ambiente mais saudável para todos”, conclui Zago.
Saúde mental dos pets entra no centro do debate familiar
A campanha Janeiro Branco, tradicionalmente associada à saúde mental humana, passa a incluir também o bem-estar emocional dos animais de estimação. A mudança reflete uma realidade cada vez mais presente nos lares brasileiros: cães e gatos são parte da família e reagem diretamente à rotina, ao ambiente e ao estado emocional de seus tutores.
Comportamentos como latidos excessivos, destruição de objetos e agitação constante são sinais frequentes de estresse e ansiedade em cães. Especialistas alertam que esses quadros estão, muitas vezes, ligados à falta de estímulos adequados, previsibilidade na rotina e compreensão das necessidades naturais da espécie.
Ao olhar para a saúde mental dos pets, o Janeiro Branco amplia o conceito de cuidado coletivo, mostrando que equilíbrio emocional dentro de casa envolve todos os seus integrantes — humanos e animais.
Estímulo errado também causa estresse em cães
Nem todo estímulo é sinônimo de bem-estar. Durante o Janeiro Branco, especialistas em comportamento animal chamam atenção para um erro comum: acreditar que manter o cão constantemente exposto a estímulos intensos garante equilíbrio emocional.
Bem-estar emocional dos pets reflete na qualidade de vida da casa
A saúde mental dos animais de estimação impacta diretamente a dinâmica familiar. Um cão emocionalmente equilibrado dorme melhor, interage de forma mais saudável e apresenta menos comportamentos compulsivos ou destrutivos. Rotina, socialização supervisionada, atividades estruturadas e enriquecimento ambiental são apontados como pilares para o equilíbrio emocional dos pets. Mais do que gastar energia, essas práticas promovem segurança, previsibilidade e confiança.







Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.