Durante o verão, tutores precisam ficar atentos, pois o calor propicia condições ideais para a proliferação de infecções de pele em cachorrosIA

Com a chegada do verão, os tutores de animais de estimação precisam redobrar a atenção com a saúde dos cães, especialmente quando o assunto são as infecções fúngicas de pele, que se tornam mais frequentes nesta época do ano.
O aumento da temperatura e da umidade cria o cenário ideal para a proliferação de fungos e leveduras, microrganismos presentes no ambiente e, em alguns casos, na própria pele do animal, mas que podem causar doenças quando encontram condições favoráveis.

Altas temperaturas, umidade elevada, banhos mais constantes e o hábito de passeios em locais como praias, parques, áreas gramadas e trilhas contribuem para manter a pele do animal úmida por mais tempo. Quando essa umidade não é corretamente eliminada, principalmente em regiões de dobras, orelhas e entre os dedos, o risco de infecção aumenta consideravelmente.

Dados recentes de clínicas veterinárias no Brasil indicam que os atendimentos por problemas dermatológicos podem crescer até 40% durante o verão, sendo as infecções fúngicas e as dermatites associadas à umidade algumas das principais causas. Em muitos casos, os quadros começam de forma discreta, mas evoluem rapidamente quando não tratados de maneira adequada.

Entre os sintomas mais comuns estão coceira intensa e persistente, vermelhidão, descamação da pele, mau odor, falhas ou queda de pelo, escurecimento e espessamento da pele, além de lambedura excessiva das patas e orelhas. As áreas mais atingidas costumam ser aquelas naturalmente quentes e úmidas do corpo, como axilas, virilha, dobras cutâneas, orelhas e espaços entre os dedos.

Segundo a médica-veterinária Vivian Quito, o verão é um período crítico para a saúde dermatológica dos cães. “O excesso de umidade na pele, seja por banhos frequentes, chuva, mar ou até mesmo por não secar corretamente o animal, favorece a proliferação de fungos. Além disso, cães que já têm alergias, baixa imunidade ou problemas hormonais estão ainda mais suscetíveis”, explica.

A especialista alerta que nem toda coceira está relacionada apenas a alergias ou parasitas. “É comum o tutor tentar resolver o problema em casa, achando que é algo simples, quando, na verdade, trata-se de uma infecção fúngica que precisa de diagnóstico específico”, ressalta.

Algumas raças apresentam maior predisposição a problemas dermatológicos, especialmente aquelas com muitas dobras de pele, orelhas caídas ou pelagem densa. Cães idosos, obesos ou que vivem em ambientes constantemente úmidos também exigem atenção redobrada durante os meses mais quentes.

O diagnóstico das infecções fúngicas deve ser feito por um médico-veterinário, por meio de avaliação clínica e, quando necessário, exames específicos. O tratamento pode incluir antifúngicos tópicos ou sistêmicos, como shampoos terapêuticos, sprays, pomadas ou comprimidos, sempre de acordo com a gravidade do caso.

A automedicação deve ser evitada. O uso inadequado de produtos pode mascarar os sintomas, agravar a infecção, causar irritações na pele ou até gerar resistência do fungo, dificultando a recuperação do animal. Quando não tratadas corretamente, essas infecções podem se tornar recorrentes e comprometer o bem-estar do cão.
Com atenção aos sinais e acompanhamento veterinário, é possível identificar precocemente os problemas dermatológicos e garantir um tratamento eficaz. Assim, os cães podem aproveitar o verão com mais conforto, saúde e qualidade de vida, longe do incômodo causado por fungos e outras doenças de pele.
Sinais de alerta e como prevenir
Fique atento se o cão apresentar:
• Coceira intensa ou persistente
• Mau odor na pele ou nas orelhas
• Queda de pelo ou falhas localizadas
• Pele avermelhada, escura ou descamando
• Lambedura excessiva das patas
Para prevenir no verão:
• Seque bem o animal após banhos, chuva ou mar
• Evite ambientes constantemente úmidos
• Use apenas produtos indicados por veterinários
• Mantenha vacinação, vermifugação e antipulgas em dia
• Procure atendimento veterinário ao primeiro sinal

Quando a infecção fúngica vira um problema recorrente

Em alguns casos, as infecções fúngicas não aparecem de forma isolada e passam a se repetir ao longo do ano, especialmente em cães que apresentam doenças de base. Alterações hormonais, quadros alérgicos crônicos, obesidade e até situações de estresse podem comprometer as defesas naturais da pele, tornando o animal mais vulnerável à ação de fungos e leveduras. Nesses casos, o tratamento precisa ir além do controle dos sintomas e incluir a investigação das causas associadas, com acompanhamento veterinário contínuo, para evitar recaídas e o uso prolongado de medicamentos.

Atenção redobrada após praia e piscina

Durante o verão, muitos cães frequentam praias, piscinas e áreas com água, o que exige cuidados extras após esses passeios. O contato com água do mar ou com cloro pode ressecar e irritar a pele, além de manter a umidade por mais tempo, favorecendo a proliferação de fungos. Após essas atividades, o ideal é enxaguar o animal com água doce e secá-lo completamente, principalmente nas orelhas, dobras da pele e entre os dedos.

Ambientes domésticos também influenciam a saúde da pele
Dentro de casa, alguns hábitos podem contribuir para o surgimento de infecções fúngicas. Camas e cobertores úmidos, tapetes que demoram a secar, quintais sem drenagem adequada e ambientes com pouca ventilação mantêm a umidade elevada e criam condições favoráveis para o crescimento de fungos. A higienização frequente dos objetos do animal, aliada à boa ventilação e à exposição ao sol, ajuda a reduzir os riscos e contribui para a saúde da pele.

BOX - Por que a infecção fúngica volta?

As infecções fúngicas podem se tornar recorrentes quando a causa do problema não é totalmente controlada. Fatores como umidade constante na pele, tratamento interrompido antes do tempo indicado, uso inadequado de medicamentos e doenças de base favorecem o reaparecimento do fungo.
Principais fatores de recorrência:

• Secagem inadequada após banho, chuva ou mar
• Interrupção precoce do tratamento
• Doenças hormonais ou alergias não controladas
• Baixa imunidade
• Ambientes quentes e pouco ventilados
O que ajuda a evitar novas crises:
• Seguir o tratamento até o fim, mesmo com melhora
• Realizar acompanhamento veterinário regular
• Manter o ambiente do animal limpo e seco
• Ajustar a rotina de banhos e produtos utilizados