Arte coluna Fé no Rio 25 abril 2026Arte Paulo Márcio

Em meio às várias decisões que marcam a nossa vida, nem sempre é fácil reconhecer qual caminho seguir. Entre dúvidas, desejos e pressões, o coração humano busca uma direção segura. É nesse contexto que o discernimento cristão se revela como uma bússola interior, capaz de orientar nossas escolhas iluminadas por Deus, não apenas no momento da decisão, mas também nos frutos que ela produz ao longo do tempo.
O discernimento exige atenção não só ao momento da escolha, mas também ao que vem depois dela. É nesse tempo seguinte que, muitas vezes, se revelam os sinais que confirmam ou desmentem a decisão tomada.
Após rezar, refletir e pesar interiormente os movimentos do coração, chega-se a uma decisão. No entanto, o processo não termina aí. A vida continua a falar, e Deus continua a agir. Há escolhas que, com o passar do tempo, se mostram frágeis, inquietas, incapazes de sustentar o coração. Outras, ao contrário, revelam-se fecundas, serenas e comunicam uma paz que perdura.
O tempo, aliás, é um dos critérios mais seguros para reconhecer a voz de Deus entre tantas outras vozes que nos habitam. Só o Senhor é verdadeiramente o Senhor do tempo, e aquilo que vem d’Ele carrega uma marca própria: a permanência.
Pensemos, por exemplo, em uma decisão simples: dedicar mais tempo à oração. Se, após essa escolha, a pessoa percebe que vive melhor o restante do dia, com mais serenidade, menos ansiedade, maior atenção no trabalho e até mais paciência nas relações difíceis, então esses frutos se tornam sinais concretos de que o caminho escolhido é bom. Deus não confunde; Ele ordena, ilumina e sustenta.