Gastão Reisdivulgação
O lado maquiavélico de Lula (e do STF) é público e notório. Entre ser respeitado ou ser temido, ele seguiu o conselho de Maquiavel a favor da segunda opção. Ele ainda usa e abusa de Antonio Gramsci, aquele teórico marxista que abandonou o porrete da luta de classes de Marx em favor da técnica de tomar o poder sem que as pessoas percebam o que está acontecendo. E foi assim que a esquerda se infiltrou no ensino básico e no superior, nos sindicatos e até nas comunidades religiosas para divulgar a falsa narrativa de que tudo estava errado no Brasil desde os tempos coloniais.
Lula, sem conhecer nossa História, certa feita afirmou que, na guerra contra os holandeses, os portugueses proibiram a participação de negros na resistência contra os invasores. Tinham medo de que, depois da expulsão deles, os soldados negros se voltassem contra a metrópole portuguesa. Na verdade, bem documentada, as forças portuguesas incluíam indígenas e negros. Estes eram comandados por Henrique Dias e aqueles por Filipe Camarão, ambos com a devida formação militar. Eles foram depois condecorados, em Lisboa, com títulos dados aos nobres pelo governo português. Mais ainda: Henrique Dias pediu ao rei a perpetuação do regimento negro, o que foi autorizado pelo monarca.
A desfaçatez com que o sr. Lula mente é espantosa em várias outras oportunidades. Ele se apropriou de iniciativas sensatas de FHC como se fossem suas. O Bolsa Família é um bom exemplo. Mas ele dispensou as medidas de desempenho então embutidas na concessão original da engrenagem do Bolsa Escola. E ainda passou seus oito anos de governo (2003-2010) batendo na tecla da "herança maldita" recebida de FHC, que, de fato, foi bendita. Cuspir no prato em que comeu foi uma estratégia explorada à exaustão. Aquela técnica de repetir mil vezes uma mentira até que ela se torne verdade, ele deve ter aprendido com Goebbels, ministro da informação (mentirosa) de Hitler.
O atual mandato só foi possível com a conivência do STF. Com a desculpa de que o foro teria que ser o de Brasília, e não o de Curitiba, os autos foram requisitados e engavetados para não ter que examiná-los e proferir uma sentença condenatória, que confirmaria a de Curitiba. E foi assim que Lula pôde se candidatar e conseguir um terceiro mandato. A gastança e as falências que resultaram dos desmandos de sua atual política econômica estão aflorando agora, pouco antes das próximas eleições. Suas lambanças, se bem examinadas, têm as digitais de quem o colocou lá: as do STF.
Outra proeza de Lula, baseada no conhecimento ralo de nossa própria História, pode ser observada em sua frase frequente: “Nunca antes na história deste país se fez isso ou aquilo”. O "isso ou aquilo" é sempre ilustrado com alguma iniciativa dele ou do PT. Aproveita também para propagar mentiras sem base factual. A visão dele é que o Brasil foi sempre explorado desde o início. Os portugueses, segundo sua falsa narrativa sempre repetida, vieram para enriqucer e voltar para Portugal assim que pudessem. Será que foi isso mesmo?
Os fatos documentados nos falam de outra coisa. Um exemplo interessante é o das Santas Casas da Misericórdia, que Portugal criava em todas as suas colônias. No Brasil, a primeira delas foi a de Santos, em 1543, construída com doações de nobres e colonos que atendiam gratuitamente a quem precisasse de tratamento médico, inclusive indígenas e escravizados. Na mesma época, foram criadas as do Recife e de Olinda. Um cenário bem diferente dos EUA, onde a segregação esteve sempre presente em escolas, hotéis, hospitais, restaurantes, banheiros, etc.
Indo agora para o terreno concreto do desenvolvimento da colônia brasileira pouco antes da chegada de D. João VI, cabe registrar o que nos diz Roberto Simonsen em seu clássico História Econômica do Brasil (1500-1820), lançado inicialmente em 1936. A sexta edição do livro, de 1969, nos conta uma história bem diferente, respaldada em números, com os quais o autor tinha familiaridade por ter formação superior em engenharia. Ele nos diz que em 1808, quando aqui chegou D. João VI, tanto o PIB do Brasil como a nossa população e a de Portugal já eram do mesmo tamanho. Ele estava, portanto, afirmando que o nosso PIB per capita era o mesmo de Portugal. Ainda que a distribuição de renda fosse desigual, em termos per capita éramos tão ricos quanto os portugueses. A conclusão é que haviam criado um "outro Portugal" do outro lado do oceano Atlântico em termos de desenvolvimento econômico.
Vejamos agora o terceiro mandato de Lula, permitido pelo STF ao liberá-lo para se candidatar. As certidões criminais que pesavam sobre o atual presidente foram devidamente anuladas e engavetadas. A gastança desenfreada desses anos de seu governo é do conhecimento de toda a população. Lula se queixa da taxa de juros (Selic) elevada e põe a culpa no "malvado" Banco Central (BC), lamentando que seu presidente tenha mandato e seja independente em suas ações.
A verdade dos fatos é outra. Para baixar a taxa de juros, seria preciso fazer o corte de gastos, vale dizer, o ajuste fiscal. Lula foge disso como o diabo foge da cruz. É a ausência de uma política fiscal séria que obriga o BC a manter a taxa de juros onde ela está, sob pena de abrir caminho para uma inflação galopante — aquela que bate mais duro no bolso das pessoas de menor poder aquisitivo. Para piorar, os preços dos gêneros alimentícios subiram bem acima da inflação média, o que machuca, sem dó nem piedade, a população mais pobre. Portanto, a culpa é da irresponsabilidade do sr. Lula, que se recusa a cortar gastos, e não do presidente do BC.
No país inteiro, entre economistas de boa formação, há consenso sobre a necessidade inevitável de um ajuste fiscal. Finalmente, Lula resolveu dar o braço a torcer, acenando com o corte de gastos. O problema é que o mercado não o leva a sério, e a maior parte da população vê nessa promessa mais uma enganação das muitas que Lula traz em seu curriculum vitae. E foi assim, de enganação em enganação, que o descontentamento cresceu. É o que oposição e grande parte da população manifestam abertamente.
Nota: Digite no Google “Dois Minutos com Gastão Reis: Políticos: Você no controle”. Ou pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=pB8MRrtGRPs&t=6s
Gastão Reis é economista, escritoe e palestrante
Contato: gastaoreis2@gmail.com
Gastão Reis é economista, escritoe e palestrante
Contato: gastaoreis2@gmail.com

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