Quem de nós nunca conheceu um matusquela na vida que jogue o primeiro estalinho. Mas quando poderíamos imaginar que nesse mundão de gente, teria um doido justamente no comando da maior potência do planeta? Nós, os eremitas do Principado de Água Santa estávamos fazendo cortes de carnes suínas e bovinas para o nosso tradicional churrasco, quando ouvimos no rádio de pilha, pendurado pela alça na parede do quintal, que o pato Donald Trump ameaçou os amigos da Organização do Atlântico Norte, por conta de uma guerra com o Irã que ele mesmo inventou. Tudo porque ele queria que eles, que eram contra qualquer invasão, entrassem na guerra pra liberar o canal de Ormuz, fechado pelos iranianos.
- Esse sujeito é mesmo o amigo da Onça! - comentou Ibiapina.
Mas como não gostamos de falar nem de política (nacional ou internacional) e nem de futebol, assuntos que provocam desunião, deixamos a crise energética criada por mais essa confusão do Pato Donald Trump, para discutir pauta mais importante: a crise energética aqui de Água Santa criada pelo aumento em quase 17% da taxa de energia. Tá parecendo mais sanção do governo americano, contra todos os países que contrariam sua vontade.
Bem, voltando a conta de luz, decidimos que é chegada a hora de economizar energia. Vamos aumentar a produção de churrasco, porque afinal o carvão é natural de eucalipto. A música da festa também está garantida, afinal o gramofone da caverna é de corda e só precisa mesmo da energia humana, que aqui não falta nunca.
Aliás, nostálgico, Nelson propôs que o encontro tivesse como fundo musical um tango, para combinar com o aumento dramático da conta de luz:
- Escolhi o tango de Roberto Yanez, cantor das antigas. - a escolha foi aplaudida por todos.
E quando a luz solar deixa o ambiente, nós podemos usar os lampiões. Temos o modelo à gás, mas também o movido a querosene. Afinal, o gás é outro produto que vem sendo usado como forma de pressão nessas guerras todas que andam atormentando a vida planetária.
- Escolhi o tango de Roberto Yanez, cantor das antigas. - a escolha foi aplaudida por todos.
E quando a luz solar deixa o ambiente, nós podemos usar os lampiões. Temos o modelo à gás, mas também o movido a querosene. Afinal, o gás é outro produto que vem sendo usado como forma de pressão nessas guerras todas que andam atormentando a vida planetária.
Combinamos de economizar um pouco de madeira, pra reutilizar numa emergência o forno à lenha, antigo do tempo das minhas tias, que ainda tenho comigo.
E por fim, tratamos sobre o eletrodoméstico mais importante de um lar: aquele que gela a cerveja e mantém saudável a carne do churrasco – a geladeira.
Lembrei das geladeiras que conheci na Ilha Grande, no tempo que não tinha energia elétrica. Eram movidas a querosene. Decidimos fazer uma ronda nas lojas de velharias do Centro da cidade, quer dizer, nos antiquários, pra ver se conseguimos comprar uma Gelomatic, uma das marcas mais populares de geladeiras a querosene do passado. E por falar em passado, decidimos também que a ida ao Centro da Cidade, terminará na Casa Paladino, fundada em 1906, é mais velha do que os veteranos aqui.
O churrasco já estava quase pronto pra servir, chegou, sem ter sido convidada, a chuva. Aliás, pelo que soubemos, essa não pretende ir embora com o verão. A previsão é que se estenda por mais um período. É bom deixar as barbas de molho!

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