Autocrítica corporativadivulgação/João Paulo Guimarães

Todas as atividades têm seu impacto ambiental. Dependendo do ramo, umas mais e outras menos. Um importante exercício corporativo neste momento de COP30 é avaliar criticamente as suas responsabilidades diante do crítico quadro atual do Meio Ambiente. E não apenas a pegada ecológica do segmento, mas também as consequências financeiras, sociais e profissionais que vão ou já estão sofrendo em decorrência das mudanças climáticas.
Tem atividades que podem ter uma demanda além de sua capacidade de atender. Já outras, simplesmente ir a falência, desaparecer. Junto com chegada da Inteligência Artificial, a adaptação as alterações ambientais é o principal desafio. Muitas profissões, atividades e segmentos comerciais precisam se reinventar se quiser sobreviver a nova realidade.
Nessa autocrítica corporativa é preciso também avaliar seus próprios impactos, como: identificar práticas que podem ser abandonadas, feitas de outra forma, mitigadas ou compensadas. No entanto, isso envolve mudança de cultura e um custo no processo de adequação que poucos estão dispostos a assumir. Ou mesmo divisões políticas, geográficas e divergências dentro da própria classe impedem a adoção de medidas, as vezes muito simples.
Médicos pelo Clima
Um bom exemplo é o movimento Médicos pelo Clima, que reúne profissionais de saúde conscientes da urgência ambiental que enfrentamos e que anuncia que fará muito barulho aqui em Belém, colocando um holofote sobre as consequências enfrentadas pelo setor em decorrência das mudanças climáticas.

Entre as iniciativas de alerta a marcha pelas ruas da capital paraense feita em conjunto com o Instituto do Ar, com o Grupo de Trabalho Amazônico e com a ONG irmã, Médicos Sem Fronteiras.

“A crise climática é também uma crise de saúde emergencial e que impactará milhões de brasileiros. A marcha pretende chamar atenção para a necessidade de atuação imediata na proteção dos nossos povos, especialmente os mais vulneráveis”, afirma Evangelina Araújo, embaixadora do movimento.

De acordo com pesquisas, os efeitos do clima devem ser ainda mais sentidos aqui na região Amazônica, justamente onde acontece a COP30.

“As populações indígenas, ribeirinhas e tradicionais veem seus modos de vida ameaçados por secas severas, cheias extremas e perda de biodiversidade. A escassez de peixes, a contaminação da água e o aumento de doenças transmitidas por vetores, como malária e dengue, são realidades cada vez mais frequentes. Além disso, o desmatamento e as queimadas agravam problemas respiratórios e comprometem a saúde coletiva”, afirma Sila Mesquita, coordenadora-geral do Grupo de Trabalho Amazônico.

Entre agosto de 2024 e junho de 2025, a área sob alerta de desmatamento na Amazônia cresceu 8,4% em relação ao ano anterior, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. No período, houve um salto de 245,7% nas áreas atingidas pelo fogo, reflexo direto da temporada de incêndios que afetou o bioma e que, segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, está ligada ao agravamento das mudanças climáticas.