Sabão em ritmo de sambafoto divulgação
A tecnologia social do projeto Omìayê, do Instituto Singular Ideias Inovadoras, já evitou a poluição de até 156 milhões de litros de água e tratou mais de 225 milhões de litros, a partir de soluções de biorremediação, com sabões, pastilhas e detergentes que integram conhecimento científico e a força de trabalho feminina local para a transformação do meio ambiente.
A Omìayê atua no reaproveitamento de óleo de cozinha usado e no tratamento de efluentes com o uso de microrganismos. O projeto transforma resíduos que seriam descartados de forma inadequada em Um único litro de óleo pode contaminar milhares de litros de água, mas, na Mangueira, esse resíduo torna-se o combustível de uma economia circular.
"Na Mangueira, três milhões de litros de esgoto são despejados diariamente sem qualquer tratamento, e o óleo de cozinha descartado nas pias agrava esse cenário de forma silenciosa. Tendo isso em vista, desenvolvemos uma tecnologia social que transforma o próprio resíduo em instrumento de tratamento da água, por meio de bioprodutos que carregam microrganismos capazes de realizar a biorremediação dos efluentes. Os 156 milhões de litros de água preservados até aqui demonstram que soluções construídas dentro das comunidades, com base científica e protagonismo das pessoas que vivem o problema, podem gerar resultados concretos diante de desafios que historicamente foram negligenciados pelo poder público."
Gabriel Pizoeiro - Diretor do Instituto Singular.
Ao coletar mais de 6.250 litros de óleo usado, o projeto evitou a poluição de aproximadamente 156 milhões de litros de água, volume que equivale a 62 piscinas olímpicas. O material coletado é processado em uma ecofábrica local, operada por mulheres da comunidade, que, ao transformar o poluente em produtos de limpeza ecológicos, evita que esse impacto se multiplique, protegendo redes de esgoto, rios e o abastecimento urbano.
Um dos processos centrais da iniciativa é a produção de sabão ecológico a partir do óleo de cozinha reutilizado. Esse sabão evita que o resíduo seja descartado na rede de esgoto e contribui para a limpeza, ao atuar na remoção de impurezas sem gerar carga poluente adicional. Produzido pelas próprias moradoras da comunidade, o sabão é distribuído gratuitamente para famílias da Mangueira, ampliando o acesso a produtos de higiene e fortalecendo práticas sustentáveis no dia a dia. Ao mesmo tempo em que limpa e reduz o impacto ambiental, a ecofábrica local gera emprego e renda para mães e moradoras da comunidade.
"Quando a gente fala que transforma óleo usado em sabão, as pessoas acham simples. Mas o que acontece aqui dentro é maior do que isso. A gente cuida da água que corre debaixo das nossas casas, gera renda para as nossas famílias e mostra que mulher de favela produz ciência. Cada barra de sabão que sai daqui carrega um pedaço da Mangueira e prova que a solução pode vir de quem conhece o problema de perto."
Daniele Chaves de Oliveira - Funcionária da Ecofábrica Omìayê.
Outro eixo central é o uso de microrganismos no tratamento de esgoto doméstico, uma solução desenvolvida em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), de baixo custo, fácil replicação e que contribui para a redução de odores. Essa abordagem evidencia o potencial das tecnologias de biorremediação como aliadas na ampliação do acesso ao saneamento, especialmente em áreas urbanas densas e historicamente negligenciadas.
Alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a iniciativa dialoga diretamente com o ODS 6, ao promover água limpa e saneamento; com o ODS 3, ao impactar a saúde da população; com o ODS 11, ao fortalecer comunidades sustentáveis; e com o ODS 13, ao contribuir para ações de enfrentamento às mudanças climáticas.
Mais do que uma solução técnica, a experiência da Mangueira revela como o fortalecimento das comunidades, aliado à inovação social, pode gerar respostas concretas para desafios globais. Ao integrar ciência, educação ambiental e participação coletiva, o projeto mostra que a sustentabilidade não é apenas uma meta internacional, mas um processo que se constrói a partir de iniciativas locais, com impacto real e transformador.
No contexto do Dia Mundial da Água, a Omìayê reafirma que proteger os recursos hídricos passa por reconhecer, apoiar e ampliar soluções que nascem nos territórios. Um exemplo que emerge da Mangueira, mas que aponta caminhos possíveis para cidades em todo o mundo. A iniciativa comunitária demonstra como soluções locais podem contribuir de forma efetiva para o enfrentamento de desafios globais.
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