Maior gavião das Américas retorna ao habitat brasileiroFoto: divulgação
Criado em 2010, o parque possui pouco mais de 11 mil hectares e tem como foco a preservação ambiental, a pesquisa científica e a visitação pública. A área representa o limite mais ao norte da Mata Atlântica com registros recentes da espécie.
Para garantir a sobrevivência da ave, especialistas destacam a importância de preservar não apenas o parque, mas também a “cabruca”, sistema tradicional de cultivo de cacau sob árvores nativas, essencial para manter a conexão entre fragmentos florestais no sul da Bahia.
No mesmo território, outro fato chamou a atenção de pesquisadores. Na Reserva Particular do Patrimônio Natural Estação Veracel, foi registrado o nascimento de um filhote da espécie. O caso representa o único ninho com sucesso reprodutivo monitorado na Mata Atlântica em 2026, em uma área oficialmente reconhecida como reserva privada de conservação.
O local já é considerado estratégico para a espécie. Em 2005, foi ali o primeiro registro de ninho documentado no bioma. Desde 2018, no entanto, os casais observados apenas reformavam ninhos, sem reprodução. O nascimento recente interrompe esse ciclo e reacende as expectativas dos pesquisadores.
Para proteger o animal, o monitoramento é feito à distância, com técnicas que evitam interferências. A previsão é que, por volta dos seis meses, a ave receba um rastreador GPS, permitindo coletar dados importantes para políticas públicas e estratégias de preservação.
Outro registro recente reforça esse cenário. No Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal, indígenas Pataxó documentaram a presença da espécie, evidenciando a importância do conhecimento tradicional aliado à ciência. A ocorrência da harpia em diferentes áreas protegidas da região fortalece o papel das unidades de conservação e dos territórios tradicionais na proteção da biodiversidade.
Conhecida como gavião-real, a harpia é uma das maiores aves de rapina do mundo. Uma fêmea pode pesar até nove quilos e atingir mais de dois metros de envergadura. Suas garras, com cerca de 10 centímetros, têm força suficiente para capturar presas de grande porte.
Predadora de topo da cadeia alimentar, a espécie não possui inimigos naturais e sua presença é considerada um termômetro da saúde ambiental. Segundo especialistas, ela ajuda a manter o equilíbrio ecológico, evitando impactos que podem afetar a vegetação e até os recursos hídricos.
Além disso, a ave apresenta reprodução lenta: geralmente um filhote a cada dois ou três anos, em áreas que podem chegar a até 10 mil hectares por casal. Por isso, cada novo registro é visto como um sinal valioso da qualidade ambiental da região.
Mestre em Projetos Socioambientais, em Bens Culturais e Designer Educacional
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