Barreira de cabelos humanosfoto: Divulgação

Caem de 50 a 150 fios por dia como ciclo natural de renovação. Isso sem contar com as pessoas em processo de calvície e com as partes que aparamos ou cortamos cotidianamente.
Temos ainda o uso de shampoos, condicionadores, cremes e tinturas. Fora a oleosidade natural produzida pelo couro cabeludo. Em boa parte, a soma disso tudo vai parar aonde? Nas praias, manguezais, mares e oceanos.

Para minimizar, uma ação inédita está sendo realizada na Baía de Guanabara, com a instalação de estruturas de contenção. A experiência inicial ocorre na Enseada de Bom Jesus, no complexo da Ilha do Fundão.

O mais curioso dessa experiência científica inédita é que usa o próprio cabelo humano para reter seus próprios impactos. Em média, uma grama de fios pode absorver cinco vezes o seu peso em óleos.

Complementa a estrutura, de 300 metros de extensão, rolos de malha de algodão, isopor, tecido e camadas de mantas geossintéticas, cobertas por lonas, e foi acoplada à barreira flutuante já existente no local.

“Este momento é, acima de tudo, a validação de anos de pesquisa e desenvolvimento da nossa tecnologia. Depois de um longo caminho para transformar uma ideia em uma solução aplicável, chegar a essa etapa significa provar, na prática, que é possível unir ciência, sustentabilidade e impacto social de forma concreta”, afirma Caroline Carvalho, diretora da Fiotrar e Cabelegria, que possuem relevantes atuações na elevação da autoestima de pacientes oncológicos, por meio da doação de perucas feitas com cabelos humanos doados.

A iniciativa conta com a colaboração de experientes pescadores artesanais que atuam em projetos de conscientização e preservação dos manguezais do entorno e na Baía de Guanabara. Nesse processo conjunto, os impactos positivos da retenção dos efeitos capilares na natureza ajudam a evitar a degradação das raízes das plantas aquáticas e do solo desse ambiente, que exerce papel essencial no equilíbrio ambiental.
Atua como local de reprodução e berçário de várias espécies marinhas. É fundamental no equilíbrio ambiental com sua forte significância no processo natural de sequestro de carbono. Os manguezais ainda amortecem as marés ajudando a reduzir a força das ondas em até 60%, protegendo a linha de costa  e orla contra a erosão e eventos climáticos extremos.

“Essa iniciativa mostra como diferentes soluções podem se complementar para enfrentar desafios ambientais complexos, como a poluição marinha”, afirma a oceanógrafa Liziane Alberti, especialista em conservação da biodiversidade na Fundação Grupo Boticário.
* Luiz André Ferreira é professor universitário, jornalista, apresentador e podcaster.
Mestre em Projetos Socioambientais, em Bens Culturais e Designer Educacional
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