A Zona Sul do Rio concentra as maiores taxas médias de condomínioFreepik

A cota condominial é uma das que mais pesa no bolso dos moradores. Para se ter ideia, Lagoa, Ipanema e Leblon são os bairros com as maiores taxas médias de condomínio, segundo pesquisa da plataforma Loft. Os valores chegam a R$ 2.400, R$ 2.106 e R$ 2 mil, respectivamente. Vale lembrar que nesses locais predominam edifícios com infraestrutura mais completa, como portaria 24 horas, piscinas e outros ambientes de lazer, itens que aumentam o custo.

Em outro recorte, o estudo analisou quanto custa o condomínio nas regiões com o maior volume de imóveis residenciais anunciados no Rio de Janeiro. Em Copacabana, na Barra da Tijuca e na Tijuca, as taxas médias variam entre R$ 900 e R$ 1.890. “Os bairros com grande oferta de imóveis tendem a apresentar valores médios de condomínio mais variados porque concentram edifícios de diferentes épocas e padrões”, explica Fábio Takahashi, gerente de Dados da Loft.

Ele lembra que esta despesa é um dos elementos mais relevantes na decisão de compra ou aluguel. “Mesmo quando o valor do imóvel está dentro do orçamento, um condomínio elevado pode inviabilizar a escolha. É um custo fixo e contínuo, que pesa diretamente no planejamento financeiro das famílias”, observa Takahashi.

Levantamento da plataforma afirma ainda que o valor da taxa é um dos três itens que uma pessoa interessada em comprar mais leva em consideração na hora de escolher um apartamento, atrás apenas das características da unidade, como metragem e número de quartos, além da localização.

Manutenção é fundamental nos edifícios

Victor Tulli, diretor da Administradora Nacional, complementa que a busca por condomínios com taxas muito baixas pode, à primeira vista, parecer vantajosa. Contudo, o barato costuma sair caro. “Cotas artificialmente reduzidas ou historicamente defasadas costumam ocultar carência de manutenção, administração ineficiente ou falhas nas entregas de impostos e declarações. Esses fatores resultam em elevadores inoperantes, infiltrações, equipamentos deteriorados e, inevitavelmente, em rateios extraordinários ou aumentos abruptos das cotas condominiais”, alerta Tulli.

Segundo ele, é frequente que inquilinos suponham que tais despesas extraordinárias incidam exclusivamente sobre o proprietário; entretanto, quando se trata da recomposição de custos ordinários, como manutenção corrente, o encargo recai também sobre eles. “Além disso, edificações malconservadas desvalorizam os próprios imóveis, prejudicando locatários, moradores e investidores”, ressalta o diretor.

A recomendação do especialista é analisar os fatores que ultrapassam o valor nominal da cota. “O interessado deve observar a organização interna do condomínio, atas, previsões orçamentárias e o estado das áreas comuns, além de compreender com precisão o que está incluído na taxa. É relevante também verificar os índices de inadimplência e eventuais obras previstas. Um condomínio que pratica taxas realistas, adota gestão transparente e mantém a conservação em dia, preserva a segurança, a estrutura e o valor patrimonial. Já o ‘muito barato’ tende a ocasionar surpresas desagradáveis e custos significativamente maiores no futuro. Em uma cidade extensa como o Rio de Janeiro, marcada por vasta diversidade de edificações, discrepâncias substanciais entre condomínios semelhantes, seja para mais ou para menos, devem ser cuidadosamente consideradas”, orienta Tulli.