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Musical leva efervescência cultural dos anos 70 para o teatro

'70? Década do Divino Maravilhoso Doc Musical' estreia nesta sexta no Theatro Net Rio

Por BRUNNA CONDINI

Cena de '70? Década do Divinho Maravilhoso Doc Musical'
Cena de '70? Década do Divinho Maravilhoso Doc Musical' -

Rio - A partir desta sexta-feira, o palco do Theatro Net Rio, em Copacabana, vai se transformar na festa da efervescência cultural, da contestação e do empoderamento, com a estreia de '70? Década do Divino Maravilhoso Doc Musical'.

"Atenção/Tudo é perigoso/Tudo é divino maravilhoso/Atenção para o refrão/É preciso estar atento e forte/Não temos tempo de temer a morte", convoca o refrão de 'Divino Maravilhoso', emblemática parceria de Caetano Veloso e Gilberto Gil, que está na trilha. E também nomeia a nova montagem de Frederico Reder e Marcos Nauer, que traz As Frenéticas como grandes homenageadas e revisita no palco uma das mais explosivas décadas da história do país.

"O que mais me encanta é a qualidade musical da época. Isso apesar da dor e do sofrimento que tem na década de 1970", observa Reder.

Mulheres assumiram posição de liderança e os movimentos de minorias da década anterior se tornaram mais fortes. Com a presença forte da censura, a década foi permeada pela intensidade de perdas e ganhos.

"A minha questão é como tocar nos temas e encená-los sem ser panfletário. Quando me proponho a fazer um documento, não é só a minha visão artística que está ali. Tem toda a pesquisa do Marcos Nauer. São dois anos de trabalho", diz ele sobre a parceria com o pesquisador, dramaturgo e roteirista, que rendeu o sucesso anterior '60! Década de Arromba Doc Musical', com Wanderléa.

A superprodução conta com 24 atores-bailarinos-cantores, uma orquestra de dez músicos, 20 cenários, 300 figurinos, toneladas de luz e som, e mais de 100 profissionais. Tudo para contar momentos marcantes dos 70, através de depoimentos, fotografias e vídeos.

Dos acontecimentos políticos, passando por moda, comportamento, esportes e movimentos artísticos, tudo embalado por mais de 250 canções brasileiras e internacionais, divididas cronologicamente em lado A (1970-1976) e lado B (1977-1979).

Libertárias

Frederico Reder e As Frenéticas (as remanescentes Dhu Moraes, Leiloca Neves e Sandra Pêra), as estrelas do formato que mistura teatro, documentário e música, receberam a equipe do Show&Lazer às vésperas da estreia, e a emoção dava o tom. Dhu Moraes lembrava que há 40 anos o grupo subia no mesmo palco, ainda na formação completa, com ela, Edyr Duque, Leiloca Neves, Lidoka Martuscelli (1950-2016), Regina Chaves e Sandra Pêra.

"Foi o primeiro espetáculo nosso, não tem como esquecer. Ficava tão lotado, que vendiam espaço no chão", conta Dhu. "É emocionante recordar e lembrar que, quando vivemos isso, estávamos as seis juntas".

No musical, Dhu, Leiloca e Sandra entram no bloco dedicado à febre das discotecas, fenômeno que estourou nas pistas do mundo também há 40 anos, inclusive no Brasil, na trilha da novela 'Dancin' Days', de Gilberto Braga. "A música (homônima) é apoteótica. Até hoje os DJs tocam para encher uma pista", garante Leiloca, que acrescenta:

"Agradeço ao Fred. É um convite que me deixa muito comovida. Estamos sendo homenageadas ainda vivas e fazendo nós mesmas. Não tem preço".

Sandra exalta o 'legado frenético' para as mulheres que vieram depois. "É a irreverência, a ousadia e a liberdade. A partir das Frenéticas, me senti muito à vontade de dizer, sem grosseria, tudo que penso. Representou liberdade de expressão, sexual", afirma Sandra.

"Imagina você cantar lá atrás: 'Eu sei que eu sou bonita e gostosa' (trecho de 'Perigosa', primeiro sucesso delas). Nada que as vedetes já não tivessem feito, mas cantar nas rádios, programas, como fazíamos, era uma coisa nova. Hoje, isso é comum. Você vê a Anitta, a Ludmilla, cantando as coisas mais abusadas. Essas sertanejas todas são ousadas, empoderadas. É maravilhoso".

Questionamentos

Frederico Reder compara o espetáculo atual ao sucesso anterior. "Em '60!', colocávamos uma exclamação no título, tinha uma leveza, era uma festa. Apesar do que estava acontecendo e por vir, muita gente não tinha consciência. Nos 70, isso se tornou consciente", analisa o diretor.

"Por isso, a montagem sobre a década de 1960 vinha com uma exclamação no título. Na atual, coloquei uma interrogação. A década de 1970 é de incertezas, questionamentos". Reder avisa que deseja oferecer muita diversão com o espetáculo, mas também estimular a reflexão da plateia.

"Aquela que busca a paz, encontra caminhos. Novos caminhos. Quero que as pessoas saiam do teatro com esperança. Brinco que foi uma 'Discodécada', a década da disco. Além disso, as músicas são tão atuais. No meu texto do programa até questiono: 'Será que estou fazendo um espetáculo de 40 anos atrás ou estou falando da atualidade?'", diz.

Theatro Net Rio. Sala Tereza Rachel. Rua Siqueira Campos 143, Copacabana. R$ 40 a R$ 160. Qui e sex, 20h30. Sáb, 17h e 21h. Dom, 18h. 150 min. 14 anos. Até 16 de dezembro.

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