Gerson Conrad conta em livro a história do grupo Secos & Molhados

Na publicação, autor fala também sobre conflitos vividos na banda que lançou Ney Matogrosso

Por daniela.lima

Rio - Parece que um gato preto cruzou o caminho do grupo Secos & Molhados, um dos mais importantes e populares da história da música brasileira. Logo após o imenso sucesso, no início dos anos 70, o trio formado por Ney Matogrosso, João Ricardo e Gerson Conrad se desfez tão rápido quanto despontou ao estrelato. E, desde então, disparam cobras e lagartos uns contra os outros, João de um lado, Ney e Gerson do outro. Este último acaba de lançar sua versão da história da banda no livro ‘Meteórico Fenômeno — Memórias de um ex-Secos & Molhados’ (editora Anadarco, 135 págs., R$ 56). 

Gerson Conrad conta em livro a história do Secos %26 Molhados%2C grupo que lançou Ney MatogrossoDivulgação


“O João Ricardo é patético: já declarou tantos absurdos contra mim e contra o Ney que achei por bem escrever uma visão tranquila e amadurecida do que vivi. Durante os anos, muita coisa foi deturpada por essas declarações do João Ricardo. É um desrespeito ao público que tanto nos cultua até hoje”, desabafa Gerson Conrad.

O livro traz ainda um CD, com duas músicas recentemente gravadas pelo autor: a clássica ‘Rosa de Hiroshima’, que ele fez para a poesia de Vinicius de Moraes, mas nunca havia cantado, e ‘Direto Recado’, uma mensagem ao seu desafeto em forma de canção (“Em boca fechada não entra mosquito e também não gera conflito”, “Talvez fosse melhor deixar que vivesse o mito” e “Já não temos mais que ser nem secos, nem molhados” são alguns trechos da letra).

Apesar de fartamente ilustrada, a publicação não traz João nas fotos históricas. “Ele negou o uso de imagens, mas, se você entrar no site do Secos & Molhados que ele fez, eu posso aparecer nas fotos ao lado dele. É uma pobreza de espírito total”, decreta Conrad.

Ao jornal O DIA, João Ricardo afirmou que o ex-colega “valorizou muito sua participação no grupo, coitado. Nunca tocou bem”. “Mais uma vez, ele foi desrespeitoso comigo”, lamenta Conrad. “Ele só não percebe que a formação mágica e reconhecida é a que eu participei. Das outras, ninguém sequer se lembra. Foi um encontro mágico. O Secos é comigo e com o Ney!”

Apesar de os três artistas estarem aí vivos e saudáveis, parece que ainda é muito difícil que o trio volte a se reunir, mesmo que em uma ocasião especial apenas. “Já me ofereceram R$ 5 milhões para isso! Mas o João quer ser sozinho o pai da história”, descarta.

E a tal questão, tratada inclusive no livro, sobre o grupo norte-americano de rock Kiss ter imitado as maquiagens do Secos? “Até hoje, ninguém tem a resposta da verdade. Quem me dera toda polêmica fosse leve como essa!”, diverte-se Conrad.

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