Sophia Abrahão sonha alto: quer se destacar e ser referência em tudo o que faz

No ar em 'Alto Astral', a ruivinha ainda se dedica as carreiras de cantora, compositora, escritora e blogueira de moda

Por daniela.lima

'O meio em que eu vivo é muito competitivo%2C porque mexe com ego%2C vaidade%2C concorrência. A gente não chega às vias de fato%2C mas rola competição'André Schiliró / Divulgação

Rio - Não se engane com Sophia Abrahão, a Gaby de ‘Alto Astral’. Na real, ela vai muito além das mocinhas que interpreta. “Não existe o bom e o mau, existe a mistura de tudo”, diz. A pluralidade da atriz, cantora, compositora, blogueira de moda e escritora, de 23 anos, se estende ao seu dia a dia e fica evidente ao longo da conversa com a ‘Já É! Domingo’, realizada no Radisson Hotel Barra.

Ao mesmo tempo em que lê ‘Cem Anos de Solidão’, de Gabriel García Márquez, e planeja comprar toda a obra do escritor colombiano morto em 2014, permite que os seus olhos brilhem diante de uma vitrine repleta de bolsas e sapatos. Ama ‘se montar’, mas tem prazer em sair de casa sem um pingo de maquiagem. É ambiciosa e generosa. Ser muitas em uma faz de Sophia uma pessoa única e, por não ser apenas mais uma na multidão, é alvo de inveja, a exemplo da sua personagem na novela das 19h, vítima da vilã Bélgica (Giovanna Lancellotti), que, em um ato de fúria, corta o cabelo da ex-amiga.

“O oposto da inveja é a admiração. Mas uma admiração extrema, nociva. Hoje em dia, enxergo um invejoso de longe. E, quando eu observo que tem alguém perto de mim sentindo inveja, eu me afasto. Já tive situações de pessoas com posição social, financeira ou estética mais favorável do que a minha e, ainda assim, com esse sentimento. Não tem a ver com quem é melhor ou pior, tem a ver com insegurança”, acredita.

Além de insegurança, pode ser a velha rivalidade feminina. “Como somos burras, né? Se a gente se unisse, se defendesse, se juntasse, a mulher seria mais forte. Mas a mulher tem isso da competição. O meio em que eu vivo é muito competitivo, porque mexe com ego, vaidade, concorrência. A gente não chega às vias de fato, mas rola competição, infelizmente. Fico bem triste. As mulheres podiam se amar mais”, comenta.

Apesar de levantar a bandeira em prol da união feminina, Sophia é do tipo que exclui da sua vida uma amiga da onça. “Eu sou daquela zero barraco, mas, quando vejo que não vale nem a pena um diálogo, eu deleto a pessoa da minha vida. Paro de falar. Não guardo ressentimentos, mas que fique bem claro que não é mais minha amiga, que cada uma vai seguir o seu caminho. Decepção com amizade é o mesmo que traição”, frisa.

Quando o assunto é amor, a atriz, que foi flagrada aos beijos com o ator Sérgio Malheiros, seu par romântico em ‘Alto Astral’, preza pela fidelidade, mas reconhece que triângulo amoroso não é necessariamente coisa de novela. “É possível a gente se interessar por duas pessoas ao mesmo tempo. O mais importante é não fazer ninguém sofrer por causa da sua confusão mental. Se não prejudicar ninguém, OK. Mas, se começar a brincar com os sentimentos dos outros, não é legal, é egoísmo”, analisa.

A independência de Sophia está presente também entre quatro paredes. A atriz, que nega estar morando sob o mesmo teto com Sérgio Malheiros, jura ter prazer na própria companhia e em viver só. “Moro sozinha há sete anos. Para morar com alguém que não seja minha mãe, já que nós temos apartamento juntas em São Paulo, só com muito amor. Acho que não daria certo dividindo o teto com uma amiga. Sou filha única, sempre tive meu quarto, meu banheiro, minha privacidade. Mas quero muito casar, ter minha família, meus filhos. Só que, antes de morar com alguém, quero oficializar”, conta. Tradicional, sim, porém sem abrir mão de um toque de modernidade. “Sou romântica, mas não à moda antiga. Não idealizo um príncipe”, afirma.

Independentemente de Sérgio Malheiros ser ou não o príncipe do momento, Sophia é do tipo que deseja que o amor venha do jeito que for. Assim como a Gaby de ‘Alto Astral’, que se apaixonou por Emerson, um jovem de origem humilde, a atriz não quer dinheiro, só quer amar. “É uma pena que ainda exista preconceito social. Para mim, não é problema sair para jantar com um rapaz que tem uma condição financeira inferior à minha e pagar a conta”, garante. A possibilidade de um dia fazer par romântico com um ex-namorado também não tira o seu sono. “Me dou bem com eles, não sou amiga de ligar, mas não ficaria constrangida em contracenar com nenhum deles”, diz a ex de Fiuk, Miguel Rômulo, Micael Borges e Chay Suede. Já sensualizar ou tirar a roupa em cena é uma questão a ser trabalhada. “Ainda não me sinto preparada para fazer cenas sensuais e de sexo. Essa é uma das maiores barreiras que eu tenho que quebrar como atriz. É óbvio que vai chegar o momento em que eu vou quebrar essa barreira, mas ainda não é um lugar confortável para mim. Penso muito no meu público”, confidencia a ex-Rebelde.

Nada amadora, Sophia calcula cada passo que dá no caminho que começou a trilhar aos 16 anos, quando deu início à carreira de modelo. “Estou em uma posição que não é nem um décimo de onde quero chegar. Sonho bem alto, sempre sonhei. Às vezes, as pessoas encaram a ambição de uma maneira negativa, pejorativa. Mas eu não tenho medo de dizer que sempre tive ambições profissionais muito altas. Minha maior ambição, seja como atriz, cantora, blogueira, é de estar em um patamar de servir de referência onde eu estiver atuando, no lugar em que estiver ocupando. Quero ser uma profissional respeitada em qualquer área em que estiver atuando. Também almejo ganhar dinheiro, claro. Todos nós, né?”

CONSUMO SEM MODERAÇÃO

Gastar é uma coisa que dá prazer a Sophia. Mas, ainda que a atriz seja consumista assumida, as suas finanças vão muito bem, obrigada. “É um exagero eu ter 200 pares de sapato, sem dúvida. Mas eu também dou muito sapato, muita roupa. Não sou mesquinha. E, desde que comecei a trabalhar tenho a preocupação de guardar dinheiro. Mas o dinheiro também funciona como uma forma de proporcionar coisas legais para as pessoas que eu amo. Quando a novela acabar, quero proporcionar uma viagem bem legal para a minha mãe e as minhas primas. Não faz sentido fazer uma puta viagem sozinha”, acredita. Mesmo sendo uma it-girl, Sophia não vê a menor graça na obrigação de sair de casa sempre produzida. “Não existe isso de me maquiar para ir à padaria, para dar um pulinho no shopping. Eu ia enlouquecer, se fizesse isso.”

PÉ NO CHÃO

Alimentar-se de fama e glamour não é com Sophia Abrahão, que prefere manter os pés no chão. “Já vi de perto pessoas mudarem por causa da fama. É uma pena. Acho que isso acontece com quem se leva a sério. E eu nunca me levei. Tem a ver com acreditar que aquelas pessoas estão falando com você porque gostam de você. E isso não é verdade. Elas estão falando com você porque você faz novela na Globo. Uma coisa que eu sempre tive muito clara para mim é que estou recebendo muitos convites não porque eu sou bacana e, sim, porque existe uma troca de interesses. Lamento por quem não vê que tudo isso é tão passageiro”, diz.

O pensamento maduro da intérprete da Gaby de ‘Alto Astral’ se deve ao fato de ela não esquecer os tempos difíceis que viveu no início da carreira. “Eu já tive situações na minha vida em que eu não sabia o que eu ia fazer no mês seguinte, que não sabia se ia ter um trabalho, se ia ter uma grana para receber no fim do mês. Essa é a situação do artista. Quando você vê uma pessoa acreditando, é uma, pena porque seis meses depois tudo pode mudar.”

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