Reynaldo Gianecchini e Vera Fischer na novela Laços de Família - Reprodução
Reynaldo Gianecchini e Vera Fischer na novela Laços de FamíliaReprodução
Por Juliana Pimenta
Publicado 19/10/2020 15:28 | Atualizado 19/10/2020 15:28
Rio - Há 20 anos, em horário nobre, Reynaldo Gianecchini se consagrava como um dos maiores galãs de sua geração. Na pele de Edu, de ‘Laços de Família’, o jovem de 27 anos, viu sua vida virar de cabeça para baixo com a estreia da novela.

“Foi bem louco! Eu tenho uma natureza muito reservada, sou do interior de São Paulo. E, de repente, você se vê bem exposto. Até então, ninguém nem olhava para a mim e aí, no dia em que a novela estreia, vira uma loucura. Você passa a existir para as pessoas. A sensação era de que eu era a mesma pessoa e todo o resto pirou. Isso faz uma confusão na cabeça”, brinca o ator, que pondera sobre as consequências da fama repentina.

“Tem um lado que é excitante, porque todo mundo espera se destacar na vida, principalmente o jovem. Foi o ano que eu mais fui assediado, nunca mais foi assim. E, em um país em que as mulheres são muito efusivas, eu lembro de ter que sair dos lugares com segurança. Você é quase um ET. Era muito assustador”, lembra Giane.

Para o ator, no entanto, era evidente, desde então, o que o assédio estava relacionado a Edu, o personagem, e não a ele. “Isso está á associado ao fato de você fazer um personagem que é um príncipe. O Edu é um fofo, um querido. E, claro, tem o poder da juventude: você ser jovem, ter energia e ainda estar na TV, que é um veículo que te ilumina e evidencia essas qualidades. Isso é imbatível! Eu entrei nesse contexto, mas nunca acreditei que era esse cara lindo e fofo como o Edu”, argumenta.

Medo e insegurança

Um novato, que contracenava com estrelas como Vera Fischer e Marieta Severo, Giane conta que a insegurança foi a emoção que o dominou durante quase toda a trama. “Era muito difícil pra mim, eu não tinha experiência. A Marieta e o Alê (Alexandre Borges) faziam com o pé nas costas. Eu não sabia nada e, além de tudo, estava muito nervoso, pelo peso da responsabilidade e pela carga de trabalho. Para mim, era muito louco estar naquele set. Muita coisa para administrar”, conta o ator, que confessa não ter sentido muito prazer nesse primeiro trabalho em novelas.

“Eu errava tudo. Era um constrangimento. Eu lembro de várias sensações de pânico. Na cena da formatura do Edu, eu tive uma crise de pânico real, fiquei paralisado. Lembro de pensar: ‘não quero mais brincar disso, quero voltar pra casa e quero minha mãe’. Eu trabalhei com pânico quase até o final da novela”, revela.

Descobrimento de carreira

Com a novela reprisando no ‘Vale a Pena Ver de Novo’, Giane diz quais conselhos daria para ele mesmo há 20 anos. “Eu falaria: ‘siga sempre o coração e dê o seu melhor’. Os erros fazem parte e te ajudam a chegar onde você vai chegar. Tudo muda, nada é absoluto”, destaca o ator, que reconhece a importância desse trabalho na sua carreira.

“Foi um ponto de virada espetacular na minha vida. Eu descobri uma profissão e essa novela me deu uma outra dimensão sobre as coisas. Além da oportunidade de deixar uma continuidade. Porque ali poderia ter sido o fim, eu poderia ter sido escorraçado. Deu tudo certo e parece que eu vivi 10 anos em um. Talvez tenha sido o ano mais difícil, intenso e rico da minha vida. É inesquecível para mim”, pontua.