Robert De Niro recebeu a Palma de Ouro Honorária do ator norte-americano Leonardo DicaprioAFP

O astro norte-americano Robert de Niro, de 81 anos, recebeu nesta terça-feira (13), na cerimônia de abertura da 78ª edição do Festival de Cannes, a Palma de Ouro honorária. A premiação foi entregue pelo ator Leonardo DiCaprio.
Eles trabalharam juntos nos filmes "Assassinos da Lua das Flores" (2023), dirigido por Martin Scorsese, "Despertar de um Homem" (1993), de Michael Caton-Jone, e "As filhas de Marvin" (1996), de Jerry Zaks.

"Tenho a grande honra de estar aqui (...) para prestar homenagem a alguém que, para toda uma geração de atores, foi um modelo a ser seguido, nosso ídolo: Robert de Niro", disse DiCaprio.

Em 2023, os dois apresentaram juntos em Cannes o filme "Assassinos da Lua das Flores", de Martin Scorsese.
No evento, o cineasta voltou a fazer fortes críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump dizendo que, nos EUA "estamos lutando ferozmente pela democracia, que sempre demos como certa", em discurso na cerimônia.

"A arte é inclusiva, une as pessoas, como nesta noite, a arte busca a liberdade, a arte inclui a diversidade e por isso a arte está ameaçada! Por isso somos uma ameaça para os autocratas e os fascistas deste mundo", disse o ator ao receber a Palma de Ouro honorária por sua carreira prolífica.

De Niro chamou Trump de "inculto presidente americano" e o criticou por cortar fundos de vários setores culturais.

"Agora, anuncia tarifas alfandegárias de 100% para filmes produzidos fora dos Estados Unidos", prosseguiu o ator. "Isto é inaceitável (...) E não é só um problema americano, é um problema mundial".

O protagonista de "Taxi Driver - Motorista de Táxi", duas vezes ganhador do Oscar, é uma das vozes mais críticas no mundo do cinema ao presidente republicano e o insultou em várias ocasiões.
Morte de fotojornalista

Pouco antes, a presidente do júri, a atriz francesa Juliette Binoche, prestou uma homenagem à fotojornalista palestina Fatima Hassouna.

"Fatima deveria estar aqui entre nós. A arte permanece. É o testemunho poderoso dos nossos sonhos. E nós, os espectadores, o acolhemos", disse Binoche.

Hassouna morreu um dia depois de o documentário "Put Your Soul on Your Hand and Walk" (Ponha a alma na mão e caminhe, em tradução livre), dirigido pela iraniana Sepideh Farsi, que ela protagoniza, foi selecionado na ACID, seção paralela da mostra francesa. Boa parte de sua família morreu junto com ela.

"O vento da dor é tão violento hoje em dia, leva pela frente os mais frágeis", disse Binoche, que também lembrou dos "reféns de 7 de outubro e todos os reféns, os prisioneiros".

Em 7 de outubro de 2023, milicianos islamistas mataram 1.218 pessoas em Israel, civis na maioria, segundo um balanço da AFP com base em dados oficiais.

Também sequestraram outras 251 pessoas, das quais 57 seguem cativas em Gaza, incluindo 34 que o Exército israelense considera mortas.

A ofensiva israelense em represália matou mais de 52 mil pessoas em Gaza, também civis em sua maioria, segundo dados publicados pelo Ministério da Saúde do Hamas, considerados confiáveis pela ONU.

Pressão antecede cerimônia de abertura

Algumas horas antes da cerimônia de abertura, mais de 380 personalidades do mundo do cinema publicaram uma carta aberta na qual denunciaram a guerra em Gaza.

Assinada por Pedro Almodóvar, Susan Sarandon, Richard Gere, Alfonso Cuarón, Javier Bardem e Costa-Gavras, entre outros, a carta recorda a tragédia de Hassouna e se questiona; "De que serve nosso ofício se não é para aprender com a História (...), se não estamos presentes para proteger as vozes oprimidas?".

"O festival é político quando os artistas o são", havia dito em coletiva de imprensa o delegado-geral do evento, Thierry Frémaux.

Cannes também foi cenário de um tapete vermelho glamouroso, que termina na tradicional escadaria de acesso ao palácio.

O cineasta americano Quentin Tarantino, que declarou o festival aberto com um grito poderoso, passou por ali, assim como outras celebridades, como a modelo alemã Heidi Klum, as atrizes americanas Eva Longoria e Julia Garner, e a espanhola Rossy de Palma.

Este ano, a organização do festival endureceu as regras de vestimenta no tapete vermelho e anunciou que vestidos volumosos ou reveladores demais não serão permitidos, o que obrigou a atriz americana Halle Berry, integrante do júri, a mudar o 'look' que havia planejado para a abertura da mostra, esta noite.

Depardieu é sentenciado

Por coincidências de calendário, a abertura da mostra calhou com a sentença, em Paris, do julgamento midiatizado do ator francês Gérard Depardieu, de 76 anos.

Acusado há anos por várias mulheres de agressão sexual e comportamento obsceno, Depardieu foi condenado em um primeiro julgamento a 18 meses de prisão, com suspensão condicional da pena.

A justiça considerou que ficou provado que ele agrediu sexualmente uma cenógrafa e uma assistente de direção durante uma filmagem em 2021. O ator anunciou, por meio de seu advogado, que apelará da sentença.

A partir da quarta-feira, a Croisette dará lugar ao glamour do cinema mundial, com a estreia fora da mostra competitiva do oitavo e provavelmente último filme da série "Missão Impossível", mais uma vez protagonizado pelo astro Tom Cruise.

No total, 22 filmes disputarão a Palma de Ouro, incluindo sete dirigidos por mulheres, igualando o recorde estabelecido em 2023.

O Brasil integra a mostra competitiva com "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho. O júri de Cannes anunciará o vencedor da Palma de Ouro no dia 24 de maio.
*Com informações da AFP