Rio - Próxima novela das 21h da TV Globo, "Três Graças" promete mergulhar em uma trama repleta de segredos, disputas familiares e vilões ardilosos. No centro dessa história, Pedro Novaes, de 28 anos, dá vida a Leonardo Ferette, filho de Santiago (Murilo Benício) e Zenilda (Andréia Horta), e irmão de Lorena (Alanis Guillen). Ambicioso, o jovem, criado em um ambiente de luxo e rigidez, sonha em ocupar o lugar do pai nos negócios da Fundação Ferette, sem desconfiar das atividades criminosas que sustentam a fortuna da família.
fotogaleria
Santiago é um poderoso empresário que recebe verbas públicas para adquirir medicamentos de alto custo e entregar em farmácias populares. Só que ele desvia esses remédios para faturar no mercado clandestino e, para não ser descoberto, fornece placebos (substâncias) feitos de farinha, que substituem os comprimidos de verdade para pacientes que sofrem de doenças graves e pioram a cada dia.
"O Léo se relaciona bem com a família, mas principalmente com o pai tem muita troca, já que trabalham juntos e almeja assumir o lugar dele. Ele tem uma referência do que é certo dentro da bolha em que vive e isso vai gerar muitos conflitos internos diante dos acontecimentos que irão surgir", conta Pedro Novaes, filho de Letícia Spiller e Marcelo Novaes, que está em sua quarta novela.
O ator chega à nova produção - que substituirá "Vale Tudo" e tem previsão de estreia para outubro- logo após encerrar o trabalho em "Garota do Momento" e não esconde a empolgação com o desafio de interpretar dois personagens tão distintos em sequência.
"Me senti muito honrado com o convite para esse personagem de 'Três Graças'. Quando recebi o convite, entendi que seria um papel que me desafiaria muito, ele é muito diferente do Beto, de 'Garota do Momento'. Isso me animou, porque gosto de desafios, de sair de um personagem e entrar em outro completamente diferente. Além disso, é um personagem muito rico em termos de conflitos, complexidades e camadas, e isso também me chamou atenção", diz.
Esse processo de preparação foi um pouco diferente porque Pedro emendou uma novela na outra. "Tive apenas um dia de descanso entre o fim das gravações de 'Garota do Momento' e o início da preparação de 'Três Graças'. Então, precisei deixar o Beto para trás muito rapidamente — suas manias e costumes — para criar os do Leonardo Ferette", explica.
A mudança repentina é vista como algo interessante para o artista. "Porque eu sabia exatamente o que não podia repetir em relação ao Leonardo, o que não queria levar do Beto para o Léo, que é basicamente tudo, já que são tempos diferentes: uma história em 1958, no Rio, e outra em 2025, em São Paulo. Esse processo tem sido de muita escuta e liberdade criativa diante da direção, o que está sendo muito bom", conta.
Além do acompanhamento de preparação do folhetim, que já tem dentro do projeto, ele faz uma por fora. "Como sempre costumo fazer, para lapidar e viver com mais verdade as experiências do Léo".
Escrita por Aguinaldo Silva, com Virgílio Silva e Zé Dassilva, e direção artística de Luiz Henrique Rios, "Três Graças" marca a primeira parceria de Novaes com esses nomes. "O Luiz e o time de direção têm sido muito atenciosos com os atores, a história e a proposta. Temos feito cenas maravilhosas. O Aguinaldo também é um prazer estar trabalhando com ele, porque é um autor de muita história dentro da Globo", afirma.
Na trama, Léo é descrito como um rapaz privilegiado, que estudou no exterior e gosta de aproveitar a vida. Mas, por trás da aparência de herdeiro confiante, há uma figura frágil e conflituosa. "É um cara criado por um pai frio, e isso acabou quebrando um pouco ele por dentro. Sinto que o deixou mais reativo, impulsivo e perdido em relação ao que quer para a própria vida", analisa.
O ator acredita que o personagem tem uma referência do que é certo dentro da bolha em que vive, sem conseguir sair dela. "Isso gera muitos conflitos diante dos acontecimentos que vão surgindo. A base dele está na mãe, que é uma boa referência e, de certa forma, o que o salva. Mas a admiração que sente pelo pai é excessiva e torna a relação deles muito tóxica. O Léo carrega muitos conflitos internos, e quero descobrir cada vez mais sobre ele", complementa.
Relações familiares e novos caminhos
Grande parte da trama de Léo se desenrola dentro de sua própria casa. O núcleo do personagem é basicamente a família dele, com Zenilda , Lorena e Santiago Ferette. "Principalmente com o pai, o Léo tem muita troca, porque trabalha na empresa dele, a Fundação Ferette", adianta.
Mas a história do personagem também se expande a partir da aproximação com Viviane (Gabriela Loran), que desperta nele sentimentos inesperados e o conecta a novos personagens. "A partir daí, o Léo começa a se aproximar do núcleo dela e dos personagens ligados a ela. Em termos de elenco, tenho gravado muito com o Murilo (Benício) e desde o início temos uma troca muito sincera. As preparações ajudaram para que a gente encontrasse rapidamente um lugar confortável para contar essa história, mas também com desafios e conflitos interessantes. Já gravei com a Andréia Horta, que foi incrível, e com a Alanis Guillen, com quem já trabalhei antes, então já existe essa conexão. Estou começando a trabalhar com outros atores desse núcleo também e está sendo muito bom", declara.
Para o novo papel, Pedro passou por mudanças no visual. "O Beto, por ser um personagem de época, tinha um cabelo mais certinho, com um desenho característico dos anos 1950. Já o Léo tem uma estética diferente, com um visual mais padronizado em relação à vida que ele leva. É um cabelo mais curto. Adoro mudar, porque isso traz uma renovação de características, e aproveitei essa transformação para incrementar a composição do Léo", comenta.
Ele cita que a mudança é construída em conjunto com a responsável pela caracterização, Gilvete Santos, e os diretores. "Trouxemos esse lugar mais característico do Léo juntos, nunca só de um lado ou do outro. Sempre existe troca, porque o ator também tem voz nesse processo. Foi dessa forma que chegamos ao resultado".
Desafios em cena
Entre os maiores obstáculos do novo desafio profissional, Pedro destaca dois pontos: o sotaque paulista e a claustrofobia que o personagem terá. "Tenho me dedicado muito para que essa fala venha de forma natural, sem parecer pensada ou racionalizada em cena. Para isso, faço um trabalho de fono, além de aquecimentos vocais antes de cada gravação. O segundo é a claustrofobia do personagem, essa fobia que ele sente em lugares fechados ou com som alto. Venho pesquisando e desenvolvendo as manias e formas de vivenciar essas crises de maneira verdadeira", conta.
A novela teve cenas gravadas em São Paulo, o que ajudou o ator a mergulhar ainda mais no universo do personagem. "Quanto mais eu vou a São Paulo, mais referências tenho para a composição do personagem, já que é um lugar que frequentei muitas vezes na vida. Estava bastante frio quando gravamos, mas foi uma experiência muito boa. Espero voltar para outras cenas, porque é sempre agregador", torce.
"No meu caso, que sou do Rio de Janeiro, é ainda mais importante. São Paulo é uma cidade que já frequentei muitas vezes, mas não moro lá. Tenho algumas referências, como o sotaque, algumas ruas principais e universos que fazem parte da cidade. Mesmo assim, estar lá é sempre bom e me ajuda a buscar novas referências", complementa.
O que esperar de 'Três Graças'
A trama de "Três Graças" promete surpreender, na opinião do ator, que aponta que terão muitos conflitos. "É uma trama cheia de ganchos e plot twists muito bons, que vão deixar a galera vidrada em querer ver sempre o próximo capítulo", torce.
Com um elenco de peso,— que inclui Grazi Massafera, Sophie Charlotte, Dira Paes, Rômulo Estrela, Arlete Salles e Belo — o folhetim chega para mostrar como a ambição, os segredos e as relações familiares podem se tornar o combustível para grandes embates e emoções.