Paola Carosella brilha no ’Minha mãe cozinha melhor que a sua’TV Globo / Divulgação
'Queria chegar a mais pessoas, falar de cozinha e afeto', diz Paola Carosella
Chef de cozinha conta o que a motivou a aceitar participar do 'Minha mãe cozinha melhor que a sua', da TV Globo
Rio - A chef de cozinha Paola Carosella, de 50 anos, é argentina, tem ascendência italiana, naturalizou-se brasileira e conquistou o Brasil com seu jeito doce, mas também bastante determinado e objetivo. Depois de quase sete anos como jurada do "Masterchef", da Band, Paola atualmente mostra todo seu conhecimento gastronômico no "Minha mãe cozinha melhor que a sua", da TV Globo, nas tardes de domingo. Ela conta que recebeu o convite para a atração através de uma ligação telefônica e que, só depois de aceitar participar do projeto, sua ficha caiu.
"Eu recebi uma ligação: 'Você quer fazer parte de um reality, domingo a tarde, na TV aberta, na Globo, com o Hassum (Leandro, apresentador), e com o João (Diamante, chef de cozinha)?'. Eu falei: 'Sim, eu quero'. Depois que eu pensei: 'o que eu fiz?'", relembra Paola, aos risos. "Eu queria dar esse passo de voltar para a TV, mas em um outro lugar, com mais entretenimento e menos a figura da Paola jurada, professorinha", explica.
A leveza do "Minha mãe cozinha melhor do que a sua", inclusive, foi o que mais atraiu Paola a voltar para a TV. A chef de cozinha revela que tinha o desejo de deixar a fama de "durona" para trás e mostrar ao público um outro lado de sua personalidade. "Ser mais leve foi o que me fez aceitar. Eu não queria outro reality de chefes de cozinha. Queria sair um pouco do lugar de chef de cozinha. Isso é algo que eu fiz por 32 anos...", analisa.
"Faz parte de me reinventar. Não necessariamente de me reinventar, mas de usar a cozinha e tudo que eu aprendi, tudo que eu sei, de uma outra forma e através do entretenimento. De chegar a mais pessoas, falar de cozinha e afeto... Eu queria me colocar nesse lugar. Por isso que eu aceitei participar desse reality, que tem muito disso: tem muito do cotidiano, da família, da comida simples feita por quem não sabe cozinhar e lá (no programa) cozinha com a mãe gritando do lado", brinca.
Uma nova persona
A chef ainda comenta as diferenças entre suas "personas" no "Masterchef" e no "Minha mãe cozinha melhor que a sua". "Essa imagem durona que tinha no outro programa vinha também um pouco do relacionamento que você tem com o participante que está na sua frente. Os participantes que fazem parte de um reality em que eles querem ser chefes de cozinha têm uma cobrança maior... Eles têm uma arrogância muitas vezes maior, e se colocam muitas vezes num lugar de 'eu sei tudo'. E parte dessa figura um pouco mais dura era pra dizer ‘você não sabe tudo, porque eu não sei tudo, ninguém sabe tudo'. Era uma resposta a essa forma de se comportar", explica.
"Agora é completamente diferente. São atores, atrizes, jogadores de futebol que não sabem cozinhar, que abertamente falam isso e que nem querem saber cozinhar… Não posso ser a mesma Paola. O programa é um programa leve, em que as pessoas que vem cozinhar já são muito bem sucedidas em outras áreas. Elas não pretendem ser cozinheiras. Elas estão cozinhando para se divertir, para se desafiar nesse relacionamento com as mães. O nosso papel aqui é escolher os melhores pratos, mas sempre com muito carinho, muito amor", completa a jurada, que revela os motivos que a levaram a sair do "Masterchef".
"Eu saí do 'Master' porque eu já tinha dado tudo que eu tinha pra dar. Foram sete anos, quase, em que eu aprendi muito. Desenvolvi uma persona da qual o Brasil gostou e odiou ao mesmo tempo, faz parte… Mas a minha persona era essa espécie de professora, que gostava de ensinar, de marcar os erros, mas que acolhia quando era necessário", avalia a apresentadora, que garante que as broncas que tanto divertiam os telespectadores tinham apenas o objetivo de mostrar como ela estava se sentindo.
"Tentava traduzir para quem estava em casa o que eu sentia quando comia a comida. Não falava só 'não gostei'. Eu falava: 'isso aqui tem gosto de borracha queimada, é como chupar uma pata peluda'. Esses adjetivos eram para a pessoa em casa sentir o que a gente estava sentindo", revela, aos risos.
Paola resolveu deixar a atração da Band quando percebeu que já tinha feito de tudo por lá. "Quando passou esse tempo, eu senti que já tinha dado tudo, não tinha mais nada pra dar. Ia continuar fazendo a mesma coisa e ia ser injusto pros outros e pra mim", pontua.
Cozinha e afeto
Para a profissional, cozinha é afeto. Paola relembra com carinho das receitas de sua infância e espera que o "Minha mãe cozinha melhor que a sua" também passe esse sentimento de nostalgia para os telespectadores. "Eu guardo todas as receitas que minha avó italiana fazia. Era uma culinária de imigrantes, muito simples, muito gostosa. Ela fazia uma bandeja enorme de ravioli e um ragu de galinha, que ela mesma matava...", lembra.
"Há uns cinco anos minha avó veio para o Brasil e a gente fez nhoque juntas. Eu tinha uma lembrança do nhoque dela ser maravilhoso. Comecei a fazer a receita e ela ficou do meu lado falando: 'não faço assim, você tem que colocar mais farinha'. E eu pensando que ia ficar duro. Ela ficou brava porque eu não queria fazer o nhoque dela. Essa coisa de avó, de mãe, cozinhando com filho sempre tem isso", diz a apresentadora ao citar algo que acontece em casa e também na atração da Globo.
Paola também conta que aprendeu a ser menos exigente com a filha, Francesca Carosella, que atualmente tem 12 anos. "Eu amo comer, mas o que eu mais amo comer não é comida de restaurante, é comida de casa. Amo passar o pão na travessa onde sobrou o molho, gosto de bife sola de sapato, mas ao mesmo tempo bem temperado, gosto de macarrão que passou do ponto", afirma.
"Quando alguém cozinha com carinho, se joga pra cozinhar, eu não olho os defeitos. O que eu não gosto é comida estragada, quando o ingrediente não está bom. Mas bolo solado, essas coisas, eu não ligo. Quem me ensinou a não ser tão exigente foi a minha filha. Há uns anos, quando ela tinha 8 anos, ela falou 'eu não vou cozinhar mais do seu lado porque você fica colocando muita pressão e aí eu perco a alegria de cozinhar, fica muito chato'. Eu pensei: 'eu não quero fazer ninguém na vida perder a alegria de fazer nada'".
Programa de culinária
Paola despista ao ser questionada sobre a possibilidade de ter um programa só seu na TV. "Não sei, ainda não chegou nenhum comentário e nem essa proposta. Mas meu canal no YouTube continua", avisa.








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