Alline CalandriniManoella Mello/TV Globo
'Roí o osso e não comi o filé mignon', brinca Alline Calandrini sobre atual momento do futebol feminino
Ex-atleta é comentarista do SporTV na Copa do Mundo feminina, que acontece na Austrália e na Nova Zelândia
Rio - A ex-jogadora de futebol Alline Calandrini, de 35 anos, é uma das comentaristas do SporTV para a Copa do Mundo feminina, que começou na última quinta-feira e vai até o dia 20 de agosto, na Austrália e na Nova Zelândia. A amapaense tem passagens por importantes clubes femininos como Corinthians e Santos, mas nunca chegou a disputar um mundial. Ela se aposentou em 2018. Apesar de não ter experimentado uma fase com tanta visibilidade, a ex-atleta comemora o momento atual da modalidade.
"Foram 13 anos jogando bola, de 2005 a 2018. Eu sempre falo que se eu soubesse que ia ser tudo isso, eu não tinha me aposentado. Eu realmente roí o osso e não comi o filé mignon", brinca Alline. "Eu e outras, na verdade. Tem muito mais jogadoras que tiveram até uma importância muito maior que a minha nessa história... Mas com certeza fizemos parte 100% disso e de as jogadoras atuais conseguirem gozar de fato de uma visibilidade maior, de um dinheiro melhor, de uma condição de trabalho melhor, que pra mim é algo muito importante", analisa.
Alline lembra que as mulheres foram impedidas por um decreto de lei de praticar o futebol por 40 anos e que a modalidade feminina só foi regulamentada em 1983, apesar de o fim do decreto ter acontecido em 1979. "A gente ficou 40 anos com a impossibilidade de jogar. Isso deixou tudo muito tardio. Mas o momento é agora. Momento delas realmente colherem o que outras fizeram lá atrás. Fico muito feliz e contente que todo mundo está aproveitando desse momento, merecidamente", completa.
Transição
A ex-jogadora conta como foi a sua transição de atleta para comentarista e os motivos que a levaram a se aposentar. "Foi muito natural porque foi em um momento da minha carreira que eu não estava mais conseguindo desempenhar o que eu fiz a minha vida inteira, estava com muita dificuldade nisso. A história é muito louca porque eu estava no Corinthians e de repente a Band me faz um convite para fazer o Campeonato da Copa do Mundo Sub-17 feminina. Eu tive que optar porque eu era atleta do clube, o Corinthians não me liberou, e já que eu estava me formando em Jornalismo falei: 'é a oportunidade que eu tenho de fato de entrar nesse mercado, mesmo sem saber o que vai acontecer depois'", explica.
Alline revela que no ano seguinte, o futebol feminino já começou a ganhar mais destaque na televisão. "Foi muito próximo a essa virada de chave. No outro ano já foi a Copa do Mundo feminina da França, que a gente viu o barulho todo que foi. Em 2019, a Band comprou direitos do Campeonato Brasileiro feminino, começou a ter todo final de semana jogos sendo transmitidos, e em seguida teve a Copa do Mundo feminina (França) que pra mim foi o divisor de águas em relação a visibilidade, espaço, mulheres cobrindo, a valorização da atleta", completa.
A comentarista acredita que a Copa do Mundo feminina deste ano vai atrair ainda mais apreciadores para a modalidade. "Essa Copa vai ser maior ainda. Vamos atrair muito mais gente, mais pessoas querendo conhecer quem é a Lelê, quem é a Marta. A Marta todo mundo sabe", diz, aos risos. "Essa geração que está vindo, essa seleção brasileira é muito mais, não é somente a Marta. São meninas que vivem um momento diferente, apesar de muitas terem estado nessa mesma geração minha, anterior, em que não tínhamos jogos televisionados, que andávamos na rua e ninguém nos conhecia", inicia.
"Hoje se a Geyse ou qualquer outra andar aí na rua, vão falar: 'ah, você é jogadora da seleção brasileira'. Isso, na minha época, não tinha. Quando era exibido, era um jogo ou outro pela Rede Vida. No máximo nossos familiares e nossos amigos da faculdade assistiam. Hoje elas estão jogando para o mundo inteiro, é uma conquista muito justa e merecida de todas nós", comemora.





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