Rio - Interpretada por Debora Bloch, Odete Rotiman não perde tempo quando o assunto é prazer. Com a libido lá no alto, a personagem já protagonizou cenas quentes em "Vale Tudo", da TV Globo, e mostra que, assim como muitas mulheres acima de 50 anos, é bem resolvida sexualmente.
Com César, interpretado pelo galã Cauã Reymond, a executiva tem vivido momentos de tesão, paixão e adrenalina, que tem repercutido bastante nas redes sociais. Uma cena que ganhou destaque, por exemplo, foi a do casal na maior pegação em um ferro-velho.
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"É absolutamente normal que mulheres maduras mantenham apetite sexual, e isso só traz benefícios para a saúde física e mental", comenta o ginecologista César Patez. "O sexo contribui para a melhora da autoestima e do estresse, fortalece o assoalho pélvico, alivia dores e favorece a saúde óssea. Além disso, libera ocitocina e serotonina, que aumentam o bem-estar, e reduz o cortisol, o hormônio do estresse", lista.
A psicóloga Sandra Pereira explica que o sexo funciona como uma pausa reparadora. "É um momento de presença, de estar no aqui e agora. Quando vivido com respeito e afeto, fortalece vínculos, reduz a solidão, aumenta a vitalidade e ajuda a lidar melhor com os desafios do dia a dia".
O ginecologista ainda ressalta: "a sexualidade depois dos 50 pode ser ainda mais prazerosa, desde que a mulher se permita explorar seu corpo, conversar abertamente com o parceiro(a) e buscar ajuda médica sempre que sentir mudanças que atrapalhem sua qualidade de vida".
As mudanças, por exemplo, podem ser hormonais e impactar a libido. "A queda dos níveis de estrogênio e testosterona, principalmente depois da menopausa, pode gerar sintomas como ressecamento vaginal, dor nas relações sexuais, alterações de humor e diminuição do desejo sexual", afirma César.
O profissional, então, indica uma avaliação médica. "Para avaliar se há indicação de terapia de reposição hormonal (TRH). Essa abordagem pode ajudar bastante, mas não é indicada para todas as mulheres — depende do histórico pessoal, familiar e de eventuais contra-indicações", destaca.
Além disso, existem medidas de estilo de vida que fazem diferença: "atividade física regular, principalmente exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular; alimentação equilibrada, rica em proteínas magras, vegetais, frutas e gorduras boas (como azeite e castanhas); sono de qualidade, já que noites mal dormidas reduzem os hormônios ligados ao desejo; e boa saúde mental, porque o estresse, a ansiedade e a depressão são grandes inimigos da libido".
"Também existem tratamentos locais, como cremes ou óvulos vaginais com estrogênio em baixa dose, que atuam diretamente no ressecamento e na melhora da sensibilidade", complementa César.