O telefone, outrora usado para nos aproximar e facilitar relações, tornou-se, para muitos, fonte de afastamentosDivulgação

O telefone, outrora usado para nos aproximar e facilitar relações, tornou-se, para muitos, fonte de afastamentos, sem foi aos poucos erguendo muros invisíveis entre os que mais importam em nossas vidas. Quantas vezes deixamos de falar com os nosso filhos, pais, irmãos, amigos, mesmo estando ao lado deles?
O brilho incansável da tela, o apelo incessante das notificações, tudo isso vai nos roubando os instantes mais valiosos , justamente aqueles que deveriam ser ofertados a quem está ao nosso lado. Se pararmos para pensar, quando não os teremos mais? Será que haverá "amanhãs"?
Já disse o poeta: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”

Hoje, dentro dos lares, impera um silêncio inquietante. Pais e filhos compartilham o mesmo espaço físico, mas mal se cruzam nos afetos. Mergulhados em mundos virtuais próprios, cada um se isola, ilha rodeada por um mar de distrações. Os momentos de conversa e de riso, presentes no passado, agora se perdem com a passagem displicente dos dedos nas telas, numa eterna busca por algo indefinido. Evoluímos tanto para nos perdermos até de nós?

Esse pequeno aparelho detém o poder de separar mesmo os mais próximos, invadindo as refeições em família, os abraços espontâneos, as conversas que embalavam a noite. Era tão bom, quem viveu gerações passadas sabe, éramos de verdade, olho no olho, movimento, vida, encontros!
Assim, de forma quase imperceptível, vemos as famílias se transformarem em estranhos sob o mesmo teto. O desgaste não se dá em explosões, mas em vazios: olhares que se evitam, silêncios prolongados, palavras retidas.

Ainda resta a esperança de redirecionar o olhar? De desligar os dispositivos e conectar-se de verdade. Porque nenhuma mensagem urgente, nenhuma notícia efêmera, supera o valor da companhia sincera de quem amamos. O telefone pode ser, sim, uma ponte; só precisamos aprender a não deixá-lo transformar-se em abismo de solidão compartilhada.
Por fim, em um futuro incerto, não serão as máquinas que nos farão falta nos momentos de solidão.
Para concluir este texto, recordo as palavras do brilhante Charles Chaplin, que certa vez escreveu:

"Mais do que máquinas precisamos de humanidade.
Mais do que inteligência precisamos de afeição e doçura.
Sem essas virtudes a vida será de violência e tudo estará perdido".