Em entrevista ao 'Fantástico', Tati revela seus sentimentos sobre período de lutoReprodução/Globo

Olá, meninas!
Vocês viram o depoimento emocionante da Tati Machado? Ela voltou recentemente à TV e dividiu com a gente uma dor profunda e, infelizmente, ainda muito silenciosa: a perda do seu filho Rael, que aconteceu no oitavo mês de gestação. É um tipo de dor que muitas mulheres vivem, mas que poucas conseguem falar abertamente — o chamado luto perinatal.

Assim como a Tati, milhares de mães passam por essa experiência devastadora, muitas vezes sentindo que não têm o direito de viver esse luto de forma legítima. E isso machuca ainda mais. Mesmo com todos os avanços da medicina, perder um bebê no final da gravidez ou logo depois do parto ainda é uma realidade — e, pior, é uma dor que muitas vezes é invisibilizada.

Pra você ter uma ideia, segundo a Organização Mundial da Saúde, a morte fetal tardia (a partir da 28ª semana) acontece com mais frequência do que a gente imagina. No Brasil, estima-se que 1 a cada 100 nascimentos termine assim. E aí, além do sofrimento da perda, vem a culpa, a tristeza profunda, a sensação de impotência… é muita coisa pra carregar sozinha.

A psicanalista Araceli Albino, presidente do SINPESP, explica que é justamente nesse momento que o apoio psicológico especializado pode fazer toda a diferença. Ela diz que o luto perinatal é muito solitário e que as mulheres, muitas vezes, se sentem pressionadas a esconder a dor — como se esse filho não tivesse existido. “Mas ele existiu. Foi amado. E a dor não precisa ser escondida”, afirma Araceli.

A psicanálise oferece um espaço de acolhimento, de escuta, onde você pode falar, chorar, se reconstruir. É um jeito gentil e respeitoso de ressignificar essa perda. Araceli conta que, muitas vezes, é preciso reconstruir a história da maternidade: entender que aquele bebê foi real, que o vínculo era verdadeiro, e que tudo isso merece ser vivido com amor, e não com vergonha ou silêncio.

E o cuidado não precisa ser só com a mãe, viu? O companheiro, os irmãos e toda a família também podem (e devem) ser envolvidos nesse processo. Quando todo mundo é ouvido, o luto se torna mais leve — ou pelo menos menos solitário.

Lembre-se: pedir ajuda não é sinal de fraqueza, é um gesto de amor com você mesma. A dor existe, sim. Mas ela não precisa ser vivida em silêncio. Acolher esse sofrimento é o primeiro passo pra começar a transformar tudo isso.
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