Paisagista revela cuidados necessários para se ter com as plantas durante a estaçãoReprodução/internet

Olá, meninas!
Como vocês sabem, sou completamente apaixonada por plantas e não consigo viver sem elas em minha casa! Mas, como tudo na vida, elas também passam por suas fases, não é mesmo? No inverno, as nossas amiguinhas verdes pedem um pouco mais de carinho e atenção, e é aí que a gente entra!
Sabemos que elas são resilientes, mas, podemos garantir que elas atravessem a estação com muito mais charme e saúde! Para isso, chamei o querido paisagista e biólogo, Ricardo Maquieiro (@maquieiropaisagens) para nos dar dicas maravilhosas, e evitar erros que acabam com nossas plantinhas. 
Confira abaixo algumas dessas recomendações e cuidados do Ricardo para as plantas durante o inverno:
Assim como todos os seres vivos, as plantas seguem ritmos naturais que se ajustam às estações e, com a chegada do inverno, é natural observar mudanças no seu comportamento. As temperaturas mais baixas, redução da luminosidade e umidade relativa do ar são fatores que interferem diretamente no seu desenvolvimento.
Para diversas espécies, esse período funciona como um repouso, necessitando de adaptações nos cuidados, inclusive para aquelas que estão dentro de casa. Identificar esses sinais e adaptar a rotina é fundamental para atravessar esse período com mais equilíbrio e garantir que as plantas estejam saudáveis e vibrantes na primavera.
Excesso de rega
Com a queda da temperatura, a evaporação da água e a transpiração das plantas diminuem drasticamente. Um erro comum é manter a mesma frequência de rega usada em estações mais quentes, o que resulta no encharcamento do substrato.
Esse ambiente excessivamente úmido compromete as raízes, favorecendo o apodrecimento, além de causar folhas amareladas e murchas e criar condições ideais para o surgimento de doenças causadas por fungos e pragas, como insetos, lesmas e caracóis.
Como solucionar:
Antes de regar, verifique sempre a umidade do solo inserindo o dedo a cerca de 3–5 cm de profundidade. Se a terra estiver úmida, aguarde alguns dias antes de regar novamente.
Esse intervalo pode variar dependendo da espécie, portanto, em plantas tropicais, como marantas, filodendros e samambaias, que apreciam umidade, o intervalo será menor quando comparado a plantas de clima árido, como cactos e suculentas. Também é interessante certificar-se que os vasos possuem boa drenagem. Observar o comportamento da planta e as condições do ambiente é essencial para ajustar a frequência corretamente.

Local inadequado com correntes de ar e frio intenso
Ambientes com correntes de ar gelado são prejudiciais às plantas, principalmente as plantas tropicais e de clima árido. Essas condições podem causar choque térmico e desidratação foliar.
Quando se trata de plantas em ambientes internos, especialmente as tropicais, a queda de umidade relativa do ar e o uso de aquecedores podem prejudicar sua transpiração, provocando ressecamento de suas folhas e surgimento de manchas amarronzadas em suas bordas ou enrugamento.
Como solucionar:
Será necessário tornar o ambiente mais acolhedor. Posicione os vasos em áreas protegidas de correntes de ar, longe de portas e janelas que abrem constantemente. Para elevar a umidade, borrife água nas folhas regularmente, principalmente nas plantas de folhas maiores, e utilize umidificadores de ar ou até bandejas com água próximas aos vasos para ajudar a equilibrar o microclima ao redor.
Deficiência de luz solar e a fotossíntese
Dias mais curtos e nublados reduzem a incidência de luz solar, comprometendo a fotossíntese, processo fundamental para sobrevivência das plantas. Crescimento estagnado e amarelamento ou queda das folhas são consequências, que serão visíveis principalmente para aquelas que estão em locais mais sombreados.
Como solucionar:
Reposicione os vasos para as áreas mais iluminadas da casa, como próximas de janelas ou portas, aproveitando ao máximo o tempo de claridade disponível. É interessante girar os vasos periodicamente para garantir que todas as partes da planta recebam luz, impedindo seu estiolamento.
Além disso, os avanços tecnológicos permitem o uso de luzes artificiais específicas para cultivo, com lâmpadas do tipo LED de espectro completo (full spectrum), que possibilitam o processo da fotossíntese em ambientes com baixa luminosidade.

Podas e adubações inadequadas
Durante o inverno, o metabolismo das plantas desacelera naturalmente. Muitas espécies entram em um estado de dormência parcial ou total, que é período de repouso necessário para conservar energia que será utilizada na primavera. Nessa fase, elas se tornam mais sensíveis a intervenções como podas e adubações excessivas.
Podar nesse momento pode expor tecidos internos ao frio, facilitando o surgimento de doenças, enquanto o excesso de nutrientes no solo pode intoxicar as raízes, pois não serão plenamente absorvidos. Essas ações podem causar estresse, comprometer brotações na primavera e maior vulnerabilidade a pragas e fungos.
Como solucionar:
Evite podas e adubações exageradas durante os meses frios, a menos que sejam extremamente necessárias. Podas leves, como remoção folhas e galhos secos, e adubações utilizando compostos orgânicos suaves, como húmus de minhoca e Bokashi, são permitidas.
Retome a podas drásticas, como de modelagem e contenção, e adubações complexas, com compostos orgânicos ou minerais, apenas no final do inverno ou início da primavera, quando as plantas estão reativando seu desenvolvimento.
Pragas e doenças atingem plantas enfraquecidas
Durante o inverno, as plantas ficam mais vulneráveis a infestações de pragas como pulgões, cochonilhas e ácaros, além de fungos oportunistas. Isso se deve ao estresse ambiental provocado pelo frio e a redução do metabolismo vegetal, que enfraquece os mecanismos naturais de defesa.
Como solucionar:
Neste período, é fundamental intensificar a observação preventiva. São necessárias inspeções regulares nas folhas, tanto na face superior quanto no verso, e também no caule, buscando sinais como manchas, deformações, pontos brancos ou presença de insetos. Nesses casos, é importante isolar a planta afetada e realizar os cuidados necessários.
Para o controle de pragas, o uso de métodos naturais, como higienização com sabão de coco e a aplicação de óleo de neem como repelente são soluções eficazes e seguras. Além disso, manter as plantas em um ambiente bem iluminado e com boa circulação de ar contribui para prevenir seu aparecimento.

Sinais de alerta nas plantas
As plantas demonstram através de suas estruturas que algo não vai bem. Durante o inverno, as baixas temperaturas e umidade relativa do ar afetam seu desenvolvimento, deixando seu crescimento lento ou estagnado e sua saúde comprometida. Os principais sinais de alerta que as plantas estão bem são:
Queimaduras nas bordas das folhas: umidade baixa do ar e baixa temperatura (vento frio);
Folhas amareladas ou com manchas escuras: excesso de água, pouca luz e/ou adubação inadequada;
Presença de pragas e doenças: excesso de água, pouca luz e/ou circulação de ar;
Folhas murchas: solo encharcado e raízes danificadas;
Queda intensa de folhas: resposta a estressar (rega, iluminação, poda ou adubação inadequadas) ou entrada em dormência (processo natural).

Quais plantas escolher no inverno?
Mesmo durante as baixas temperaturas, é possível cultivar plantas e ter verde dentro de casa. Inclusive, algumas espécies, como a azaléia, a hortênsia e a camélia, precisam passar por esse estresse de temperatura e umidade para florescerem vigorosamente.
Entendendo suas necessidade de iluminação, irrigação e adubação, algumas são mais resistentes às condições do ambiente e práticas nos cuidados como:
Plantas de luz difusa (menos de 2 horas de sol) e meia sombra (2 a 4 horas de sol):
Zamioculca;
Bambu da sorte;
Aglaonema;
Espada de São Jorge;
Jibóia.
Plantas de sol pleno (mais de 4 horas de sol):
Lavanda;
Alecrim;
Camélia;
Azaléia;
Hortênsia.
Curtiram as dicas? Me acompanhe nas redes sociais (@gardeniacavalcanti) e no programa Vem com a Gente, transmitido ao vivo pela Band Rio, sempre de segunda a sexta, a partir das 13h40.