Quando o assunto é climatério, ainda existe muita dúvida e até um certo receio de falar sobre isso, né? Mas essa é uma fase super natural na vida da mulher e vem acompanhada de várias mudanças no corpo, no humor, no sono e na disposição.
Por isso, entender o que está acontecendo faz toda a diferença pra gente viver esse momento com mais tranquilidade e bem-estar. E o melhor: com uma alimentação equilibrada, cuidados diários e informação de qualidade, dá sim pra passar por essa fase de forma leve e cheia de autoestima.
Para entender melhor sobre isso, conversei com o médico nutrólogo, dr. Rodrigo Schroder, que explicou pontos muito importantes sobre o climatério e as mudanças que nós, mulheres, enfrentamos com nossos hormônios. Confira abaixo:
O que exatamente é o climatério e como ele se diferencia da menopausa?
O climatério é uma fase de transição natural na vida da mulher, que marca o fim da sua fase reprodutiva. Ele começa antes da menopausa e pode se estender por vários anos. A menopausa, por sua vez, é um marco dentro desse processo: é definida como a última menstruação, confirmada após 12 meses consecutivos sem ciclos menstruais.
Ou seja, a menopausa é um evento, enquanto o climatério é todo o período de transição hormonal, física e emocional que envolve esse evento. É como se a menopausa fosse um “ponto” dentro de uma curva chamada climatério.
Quais são as principais mudanças hormonais que ocorrem no corpo da mulher durante o climatério?
A principal mudança é a queda progressiva da produção dos hormônios ovarianos – especialmente estrogênio e progesterona. Com a redução desses hormônios, há uma série de efeitos em cascata no corpo:
•O hipotálamo e a hipófise tentam estimular os ovários sem sucesso, elevando os níveis de FSH e LH;
•A testosterona também pode cair, afetando desejo sexual e composição corporal;
•Há impacto em neurotransmissores, como serotonina e dopamina, que interferem no humor e no sono.
É uma mudança sistêmica, que afeta não só o aparelho reprodutor, mas também metabolismo, pele, ossos, cérebro, sono, e emoções.
Por que algumas mulheres sentem sintomas mais intensos do que outras durante essa fase?
Isso acontece por uma combinação de fatores genéticos, metabólicos e comportamentais. Algumas mulheres têm uma sensibilidade maior às oscilações hormonais, enquanto outras têm uma reserva hormonal maior ou um estilo de vida que ameniza os efeitos.
Além disso, fatores como alimentação pobre em nutrientes, sedentarismo, estresse crônico, resistência à insulina, histórico de depressão ou ansiedade podem agravar os sintomas do climatério. É por isso que duas mulheres da mesma idade podem viver essa fase de forma completamente diferente.
Quais são os impactos hormonais do climatério sobre a composição corporal?
Com a queda dos hormônios sexuais, o corpo da mulher passa por uma reorganização metabólica:
•Redução da massa magra (músculo);
•Aumento da gordura abdominal visceral, que está ligada ao risco cardiovascular;
•Diminuição do gasto energético basal, o que dificulta o controle de peso;
•Perda óssea acelerada, com maior risco de osteopenia e osteoporose.
Isso tudo explica por que muitas mulheres notam que engordam com mais facilidade e têm mais dificuldade para manter o corpo que tinham antes.
A alimentação pode ajudar a aliviar os sintomas do climatério? Se sim, quais nutrientes são mais indicados?
Com certeza. A alimentação é uma das ferramentas mais poderosas para amenizar sintomas físicos, emocionais e metabólicos do climatério.
Alguns nutrientes-chave:
•Triptofano, magnésio e vitamina B6 – para melhorar o humor e o sono, pois atuam na síntese de serotonina;
•Ômega-3 – com ação anti-inflamatória e protetora cardiovascular;
•Cálcio e vitamina D – para a saúde óssea;
•Fitoestrogênios (como a isoflavona da soja) – que podem mimetizar levemente a ação estrogênica;
•Proteínas de alto valor biológico – para preservar a massa magra;
•Fibras e compostos antioxidantes – que ajudam no controle glicêmico e da inflamação.
Além disso, evitar alimentos ultraprocessados, açúcares e álcool pode fazer uma diferença imensa na intensidade dos sintomas.
Como o climatério impacta o sono, o humor e a disposição física? Há estratégias nutricionais para esses sintomas?
A queda dos hormônios sexuais, especialmente o estrogênio, afeta diretamente o sistema nervoso central. Isso interfere em:
•Qualidade do sono (mais despertares, insônia, suores noturnos);
•Estabilidade emocional (maior risco de ansiedade, irritabilidade e depressão);
•Energia e disposição física (fadiga constante e menor motivação para atividades).
Do ponto de vista nutricional, há várias estratégias possíveis:
•Melatonina, magnésio, L-teanina e triptofano podem auxiliar no sono;
•Probióticos e fibras regulam o intestino, que influencia o eixo intestino-cérebro;
•Cafeína com moderação e em horários certos pode ajudar na energia, mas deve ser evitada no fim do dia;
•Dieta anti-inflamatória é essencial para manter o cérebro ativo e o corpo menos sobrecarregado.
Além da nutrição, exercício físico regular, exposição à luz natural pela manhã e boa higiene do sono são pilares fundamentais para recuperar o bem-estar nessa fase. Mas lembrando de nunca suplementar sem acompanhamento médico.
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