Alckmin ressaltou que o Brasil tem a tradição de não manter litígios comerciaisMarcelo Camargo/Agência Brasil

São Paulo - O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, disse nesta segunda-feira, 24, que espera a complementação dos trabalhos para o acordo entre o Mercosul e a União Europeia ainda neste ano.

Alckmin elogiou o papel do País no comércio exterior. "O Brasil tem tradição de não ter litígio com ninguém. Defendemos o comércio exterior, o livre-comércio, e celebramos o acordo entre Mercosul e UE", afirmou, em participação remota no evento Rumos 2025, organizado pelo jornal Valor Econômico.

O presidente em exercício ainda salientou que o papel do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é ampliar as negociações comerciais. "O presidente está no Japão e uma das razões é o comércio exterior", pontuou.

Alckmin também fez menções à China como o maior parceiro comercial do Brasil, sobretudo pelas exportações de commodities. "Produtos primários são importantes", disse. Como ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Alckmin destacou que a pasta está trabalhando para promover a desburocratização da indústria.

"Vamos aproveitar todas as oportunidades com EUA e China. A disposição do Brasil é fortalecer o comércio exterior. Lamentamos as atitudes dos EUA, porque têm superávit comercial com a gente. Mas não somos problema para os EUA", reforçou.
Isenção do IR
Alckmin fez elogios às duas medidas econômicas recentes do governo federal: o consignado privado e a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil. "O consignado privado vai tornar o crédito mais barato não só para o funcionário público que já tinha o consignado, mas também para o trabalhador da iniciativa privada. Vai sair de uma dívida mais cara para uma mais barata e ter ganho de renda com isso", afirmou.

Ele também frisou que a ampliação da faixa de isenção do IR é um ato de justiça tributária e social. "Quem ganha menos, paga menos, e quem ganha mais, paga mais", disse.

O presidente em exercício ainda ressaltou que o efeito das medidas será neutro sobre a política fiscal e enalteceu a atuação do ministério da Fazenda. "O ministro Haddad fez um trabalho muito bem feito", destacou.
Juros
Alckmin voltou a tecer críticas sobre o nível alto da taxa básica de juros. "Uma taxa de juro elevada atrapalha a economia porque encarece o crédito", afirmou.

O presidente em exercício também voltou a falar sobre letras de crédito, como a Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e Letra de Crédito do Desenvolvimento (LCD), lançada no ano passado voltada para a captação de recursos para a indústria. Segundo ele, esses títulos serviriam como instrumentos para amenizar o efeito da taxa Selic elevada.

Alckmin frisou que não adianta elevar os juros para combater a inflação de choques de alimentos e petróleo. "Acho que o Banco Central vai analisar a questão da alta da Selic diante de choques inflacionários", disse Alckmin, que aposta na safra recorde de grãos e na apreciação do real ante o dólar para reduzir a inflação.