Vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo AlckminMarcelo Camargo / Agência Brasil

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou neste domingo (13) que a regulamentação da chamada Lei da Reciprocidade deve ser publicada até terça-feira (15).
A legislação, aprovada pelo Congresso Nacional, autoriza o Brasil a adotar medidas tarifárias e não tarifárias contra países que impuserem barreiras às exportações brasileiras - caso recente dos Estados Unidos, que decidiram sobretaxar os produtos exportados pelo País em 50%.

"O Congresso Nacional aprovou uma lei importante chamada de reciprocidade, dizendo: o que tarifa lá, tarifa aqui. Ela permite não só questões tarifárias, mas também não tarifárias. E a regulamentação, que é por decreto, deve estar saindo amanhã ou terça-feira", declarou Alckmin, em entrevista concedida após evento em Francisco Morato (SP).

O vice-presidente também destacou que o governo está trabalhando para reverter as tarifas impostas pelos Estados Unidos e que pretende levar o tema à Organização Mundial do Comércio (OMC). "Não se justifica essa tarifa, ela inclusive prejudica também o consumidor norte-americano", disse. "Além disso, dos dez produtos que eles mais exportam para nós, oito não têm imposto. Nós vamos trabalhar para reverter isso."

Segundo ele, a resposta brasileira também será construída em diálogo com o setor privado. "A ideia é conversar com setores importantes da agricultura e da indústria, como laranja, café, carne, aço... Há uma integração entre os países de produção, especialmente na siderurgia e na indústria automotiva, e o mundo econômico precisa de estabilidade e previsibilidade", afirmou.

A entrevista foi concedida após a inauguração de um viaduto em Francisco Morato (SP), obra que recebeu R$ 31 milhões em investimentos, sendo R$ 25 milhões do governo federal e R$ 6 milhões da prefeitura.
O ministro da Casa Civil, Rui Costa també comentou sobre o decreto de regulamentação da reciprocidade econômica. 
"Se tarifa for efetivada, porque ele já mudou de posição outras vezes, adotaremos várias medidas para proteger a economia, o emprego e a atividade econômica do nosso País", disse.

O ministro disse que o tarifaço de Trump "é um absurdo, chega a ser inacreditável".

"Quando vimos a notícia, nos primeiros momentos, ninguém acreditou. Teve de confirmar com a Embaixada se era verdade ou não. Isso nunca aconteceu na história da diplomacia internacional, seja por enviar a carta por rede social. A carta até hoje não chegou fisicamente. Muito menos fazer a chantagem a um País ou nação", afirmou.