O Rio de Janeiro registra disparidades elevadas entre a elite pública e a população. De acordo com o Índice de Disparidade Salarial (IDS), divulgado pelo Livres, o governador recebe 11,8 vezes a renda média do cidadão fluminense, enquanto deputados estaduais têm IDS de 25,5. No Judiciário, magistrados recebem 42,2 vezes a média local, colocando o Estado entre os campeões nacionais de desigualdade.
“O Rio de Janeiro simboliza como estados ricos também sofrem com uma elite pública distante da população. O IDS escancara essa desconexão e mostra que a legitimidade institucional depende de enfrentar os privilégios”, afirma Helio Secco, gestor público e líder do Livres no Rio de Janeiro.
Região Sudeste
Assim como o Rio, outros estados do Sudeste também registram altos índices. Em Minas Gerais, o governador recebe 19,8 vezes a renda média e os deputados estaduais 17,4 vezes. Em São Paulo, maior economia do país, os números também superam o padrão internacional, com IDS de 13 para o governador e 12,4 para deputados estaduais.
Os dados confirmam que nem mesmo as regiões mais desenvolvidas estão livres da desigualdade institucional.
Fora dos padrões internacionais
Em democracias consolidadas, a diferença entre elites públicas e população raramente ultrapassa 10 vezes. No Rio de Janeiro, os índices chegam a quatro vezes esse patamar. Para Magno Karl, diretor executivo do Livres, “o caso do Rio mostra que a desigualdade institucional brasileira não é restrita a territórios pobres ou menos desenvolvidos". "O modelo de remuneração está fora da curva internacional e precisa ser reformado”, complementa.
O estudo recomenda a criação de tetos salariais proporcionais à renda local, maior transparência e o IDS como ferramenta oficial de controle institucional.
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