No ano, o dólar apresenta desvalorização de 5,92% Reprodução/Pexels
Dólar cai 1,52% e fecha a R$ 5,16 após fala de Trump sobre guerra
Presidente americano afirmou que Irã não tem 'marinha, comunicações ou força aérea'
Já em queda firme em relação ao real ao longo da tarde, o dólar mergulhou no mercado doméstico na última hora de negócios desta segunda-feira, 9, com a melhora do apetite ao risco no exterior, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a guerra contra o Irã está perto do fim.
Com mínima de 5,1601, o dólar à vista terminou o pregão em baixa de 1,52%, a R$ 5,1641 - menor valor de fechamento desde 27 de fevereiro (R$ 5,1340), antes dos ataques iniciais ao Irã.
Foi a segunda sessão consecutiva de forte queda da moeda norte-americana em relação ao real. A divisa ainda acumula alta de 0,59% nos seis primeiros pregões de março, após queda de 2,16%. No ano, o dólar apresenta desvalorização de 5,92%.
Em entrevista por telefone à rede de televisão CBS, Trump disse que os EUA estão "bem adiantados" na estimativa inicial de que o conflito contra o Irã seria encerrado em um período de quatro a cinco semanas. "Eu acredito que a guerra está bem completa. Eles não possuem marinha, comunicações ou Força Aérea", disse.
Principal termômetro do humor dos investidores em relação ao conflito no Oriente Médio, os preços do petróleo experimentaram oscilações agudas. Após encerrarem a sessão regular em alta de 4,3% (WTI) e 6,8% (Brent), inverteram o sinal e passaram a cair no pregão eletrônico. A despeito do refresco no fim do dia, a commodity ainda exibe ganho superior a 20% no mês e avança quase 50% no ano.
Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY, que operava em leve alta, também mudou de direção. Quando o mercado local de câmbio fechou, o Dollar Index recuava 0,12%, aos 98,865 pontos, com mínima aos 99,695 pontos.
O real já brilhava antes da mudança de humor lá fora, exibindo de longe o melhor desempenho entre as poucas divisas emergentes e de países exportadores de commodities. A avaliação é que a moeda brasileira era beneficiada pela mudança no patamar dos preços do petróleo com o conflito no Oriente Médio.
O economista Robin Brooks, Brookings Institute, destaca que o real apresentou nos últimos dois dias desempenho superior ao de todas as outras divisas emergentes. Segundo Brooks, que é ex-economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), a dinâmica recente dos preços do petróleo representa um "choque positivo enorme" para o Brasil e outros exportadores da commodity.
"Esse comportamento tem relação com o que aconteceu após a invasão da Ucrânia pela Rússia. É um movimento similar nos termos de troca. É o momento ideal para o real", afirmou Brooks, em post na rede social 'X'.
Pela manhã, o dólar chegou a se aproximar de R$ 5,30, ao registrar máxima de R$ 5,2864. A depreciação do real se deu na esteira de um aumento expressivo da aversão ao risco no exterior
As cotações do petróleo se aproximaram de US$ 120 o barril diante de temores de um prolongamento da guerra, com manutenção do fechamento parcial do Estreito de Ormuz, após a escolha de Mojtaba Khamenei como líder supremo do Irã. Filho do aiatolá Ali Khamenei, morto por bombardeio conjunto dos EUA e de Israel ao Irã, Mojtaba é visto como parte da linha-dura do regime.
Antes das declarações de Trump de que o fim da guerra está próximo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que não há espaço para discutir um cessar-fogo enquanto os ataques ao país continuarem. Mais cedo, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que a ofensiva militar contra o Irã tem como objetivo enfraquecer a capacidade militar de Teerã, especialmente o arsenal de mísseis balísticos.
O diretor de portfólio da Oryx Capital, Luiz Arthur Hotz Fioreze, ressalta que há uma defasagem temporal entre a alta do petróleo e o aumento das exportações brasileiras, dado que demora certo tempo para que os novos preços sejam "internalizados nos contratos de exportação importação" - e para que o aumento de receita em dólar se reflita no mercado cambial
"A correlação entre a valorização do petróleo e a do real não é instantânea. Pesquisas indicam que o efeito de choques no preço do petróleo sobre o câmbio pode apresentar um 'lag' de aproximadamente 2 a 3 semanas", afirma Fioreze.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.