Impacto do choque nos preços do petróleo foi maior na inflação medida pelo IGP-DIMarcelo Camargo/Agência Brasil
O primeiro destaque foi a mudança na estimativa da cotação média do petróleo para 2026, que subiu de US$ 65,97 para US$ 73,09 por barril, uma alta de aproximadamente 10,8%.
No mesmo período, a estimativa de câmbio médio para o ano caiu de R$/US$ 5,43 para R$/US$ 5,32, uma variação de cerca de 2,1% já considerando o câmbio efetivamente observado nos meses de janeiro e fevereiro.
Inflação
Em contrapartida, considerou-se uma redução de 0,06 ponto porcentual para cada 1% de apreciação do real frente ao dólar.
Essas mudanças levaram a uma alta de 0,1 ponto porcentual na inflação medida pelo IPCA no ano, já incorporando o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de fevereiro, ligeiramente acima do esperado, elevando a projeção para 2026 de 3,6% na grade de fevereiro para 3,7% em março.
Por sua vez, a projeção para a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) passou de 3,7% para 3,8%, já considerando nesses cálculos o menor peso da gasolina nesse índice.
Para a inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), o impacto do choque nos preços do petróleo foi maior. A projeção para a variação desse índice avançou para 4,9% em 2026, ante 4,6% na grade de fevereiro.
"O IGP-DI é mais sensível à variação nas cotações do petróleo por conter em sua cesta também itens de atacado, como produtos da indústria extrativa, derivados de petróleo e produtos químicos, inclusive fertilizantes", explicou a SPE.
Da alta projetada para o IGP-DI no ano, já foram compensados o impacto negativo com a apreciação do real no período e a variação abaixo da projetada para o índice em janeiro.
PIB
Em compensação, entre a grade de fevereiro e março houve a divulgação do PIB do quarto trimestre de 2025 e o resultado para a indústria (crescimento de 1,4% no ano), em específico, veio abaixo do esperado pela SPE (alta de 1,7%), reduzindo o carregamento estatístico para o setor em 2026 e, de maneira marginal, também o crescimento projetado para o ano.
Assim, apesar de a elevação na cotação do petróleo trazer impacto positivo de cerca de 0,1 ponto porcentual para o crescimento, esse impacto foi parcialmente compensado por revisões marginais para baixo na estimativa de crescimento após a divulgação do PIB do quarto trimestre de 2025.
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