Emerson Kapaz elogia governo estadual do Rio de Janeiro no combate de irregularidades no setor de combustíveisGeraldo Magela/ Agência Senado
Entidade diz que ANP precisa ser fortalecida para enfrentar 'economia do crime' do setor de combustíveis
Presidente do Instituto Combustível Legal afirmou que há cerca de 43 mil postos no país
O presidente do Instituto Combustível Legal (ICL), Emerson Kapaz, defendeu na terça-feira, 26, o fortalecimento institucional da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e o avanço de medidas para conter a atuação do crime organizado no setor de combustíveis.
Segundo ele, o problema deixou de se restringir à sonegação e passou a integrar o que classificou como "economia do crime", com efeitos diretos sobre a concorrência, a arrecadação e a segurança pública.
"A competição a gente enfrenta. O que eu não consigo enfrentar é o sonegador e o adulterador", afirmou Kapaz. "Esse é o nosso trabalho hoje, a nossa missão, e é isso que o ICL vem fazer e vai continuar fazendo ao longo dos próximos anos", disse durante evento do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em São Paulo.
Kapaz afirmou que o setor reúne cerca de 43 mil postos no país e disse que uma ANP "forte, estruturada e valorizada" é essencial para fiscalizar um mercado estratégico, competitivo e de grande capilaridade.
Ele também destacou o apoio da iniciativa privada para que a agência cumpra sua missão regulatória e citou avanços em frentes como CBIO/RenovaBio e fiscalização do biodiesel, incluindo o uso de equipamentos doados por entidades do setor.
O presidente do ICL apontou como marco nessa luta a aprovação da lei do devedor contumaz, após oito anos de tramitação, impulsionada por operações contra fraudes como a Carbono Oculto.
Segundo Kapaz, a nova legislação diferencia a inadimplência eventual de empresas estruturadas para não pagar tributos e competir de forma desleal, e alertou para o impacto de agentes que deixam de recolher 20%, 25% ou 30% em impostos, além de citar casos de dívidas que ultrapassam R$ 50 bilhões.
Kapaz elogiou ainda, iniciativas recentes do governo do estado do Rio de Janeiro para enfrentar estruturas associadas a irregularidades e mencionou a demissão de 2.800 pessoas como parte de uma reorganização administrativa.
Para ele, combater sonegação, adulteração e a infiltração do crime organizado no mercado formal deve ser tratado como tema central para a segurança pública, a arrecadação e o ambiente de negócios.
"Tem que valer a pena ser sério no Brasil. A competição tem que ser leal. Todos têm que pagar a mesma coisa e ganhar aquele que é mais competitivo, não aquele que sonega, adultera ou faz malandragem", afirmou ele.
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